Estudo elimina sintomas da Esquizofrenia, a partir da manipulação de genesSegundo os autores, o resultado abre uma nova frente para lidar com o problema, cujas causas ainda não foram esclarecidas

Publicação: 26/05/2013 08:01 Atualização:

Descrita pela primeira vez há mais de 100 anos, a esquizofrenia ainda é um mal sem remédio. Apesar de psicotrópicos conseguirem controlar as diversas manifestações desta que não é uma doença, mas uma síndrome, não existe um tratamento específico para o problema, que provoca alucinações, depressão, confusão mental e deficit de memória, entre outros quadros. Além disso, a quantidade e a dosagem dos medicamentos costumam provocar efeitos colaterais graves, o que leva muitos pacientes a deixar de tomá-los, desencadeando sérias crises. Outro problema é que, embora manejem os sintomas, as drogasdisponíveis não atuam diretamente nas causas do distúrbio — que são múltiplas, incluindo a genética, segundo estudos recentes.

Há, contudo, uma esperança para os portadores da esquizofrenia, estimados em 1% da população mundial. Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram bloquear o mecanismo biológico de um forte candidato a provocar a forma genética do mal. Teoricamente, isso significa a cura para um subgrupo de pacientes, obtida a partir da terapia gênica, uma das mais promissoras para quase 2 mil doenças causadas por alterações no DNA. A pesquisa foi realizada em ratos, mas os cientistas da Universidade Georgia Regents, nos Estados Unidos, estão animados. “O estudo prova que a esquizofrenia pode ser reversível”, afirma Lin Mei, principal autor do artigo, publicado na revista Neuron (leia Três perguntas para).

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Em 2007, o cientista mostrou que níveis de uma proteína específica produzida pelo gene NRG1 tinha associação direta com o desenvolvimento do cérebro. Passados dois anos, a equipe descobriu que um problema nesse gene desencadeava sintomas da esquizofrenia em animais manipulados geneticamente. Recebido no cérebro pelo receptor ErbB4, o gene NRG1 produz a proteína neuregulina-1, substância cujos níveis alterados foi associado à esquizofrenia. 

O defeito no gene tem como consequência um aumento na quantidade circulante da proteína, algo que acaba provocando diversas disfunções nos neurotransmissores, as substâncias químicas que fazem a comunicação entre os neurônios. Agora, Mei foi além, estudando se era possível consertar o que havia de errado, obtendo sucesso no experimento. Novamente, ele usou roedores, mas, como o NRG1 está presente em humanos, há a possibilidade de o mesmo acontecer com indivíduos que sofrem do distúrbio.

Cientistas relacionam alterações no desenvolvimento cerebral à esquizofrenia


USP testa remédio para hipertensão contra sintomas da esquizofrenia Nitroprussiato de sódio combate problemas cognitivos, aponta estudo. Pesquisadores querem permitir medicação em casa em três anos.


Um grupo de pesquisadores da USP deRibeirão Preto (SP), em parceria com cientistas da Universidade de Alberta, no Canadá, deu um passo importante no tratamento da esquizofrenia, doença psiquiátrica que causa alucinações e problemas cognitivos. Em trabalho que acaba de ser publicado na revista JAMA Psychiatry, os integrantes do estudo testaram um medicamento inicialmente elaborado para combater a hipertensão arterial sistemica - um tipo mais grave da doença - que tem potencial de amenizar os principais sintomas do distúrbio mental.
Depois de sete anos de pesquisa, os cientistas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) evidenciaram os efeitos positivos, e a princípio sem resultados colaterais, da aplicação do nitroprussiato de sódio. De acordo com Jaime Hallak, um dos coordenadores do estudo, o remédio criado em 1893 ajuda a aumentar no organismo os índices de óxido nítrico, em baixa nos pacientes com a doença.
A droga foi testada em animais e depois em 10 pacientes. Segundo Hallak, o remédio se mostrou eficaz na melhora do funcionamento do sistema nervoso central. “Os resultados foram muito animadores. Foram vistos imediatamente, após algumas horas de administração. Você já observa a melhora dos pacientes em relação a seus sintomas mais proeminentes”, disse o pesquisador da USP, que, apesar disso, não confirma a cura definitiva para a esquizofrenia.
Hallak explicou que os testes ainda continuarão pelos próximos três anos. “Estamos desenvolvendo estudos para doses repetidas e para que não seja necessária a aplicação intra-hospitalar, mas que o indivíduo possa tomar essa medicação em sua própria casa.”
Mesmo com essas questões ainda em estudo, Hallak considera o nitroprussiato de sódio uma alternativa mais vantajosa em relação aos tratamentos farmacológicos já existentes, que conseguem combater a alucinação, mas não sanam outros problemas, como a perda da capacidade cognitiva. “O problema é que os medicamentos disponíveis melhoram parcialmente os sintomas que os pacientes apresentam. Dificilmente você vê um paciente voltar 100% a seu funcionamento normal, por isso a necessidade de novos estudos.”   
Do G1 Ribeirão e Franca

Pesquisa indica que uso de avatares ajuda a tratar esquizofrenia

Avatares usados no tratamento. Crédito: divulgação/University College London
Os pacientes foram convidados a criar avatares das vozes em suas cabeças

Uma pesquisa britânica indica que o uso de avatares pode ajudar no tratamento de pacientes esquizofrênicos, que escutam vozes.
O estudo, divulgado na publicação científicaBritish Journal of Psychiatry e conduzido por uma equipe da University College London, se concentrou em pacientes que não responderam à medicação padrão usada para tratar da doença.Os pacientes criaram avatares, escolhendo um rosto e uma voz que combinavam com as vozes dentro de suas cabeças.
Depois de seis sessões de terapia, quase todos os 16 pacientes que terminaram o tratamento disseram que as vozes melhoraram, e três deles disseram que as vozes pararam completamente.

Confrontando

O estudo, liderado pelo psiquiatra e professor emérito da University College London, Julian Leff, comparou 14 pacientes que se submeteram à terapia com avatares com 12 pacientes que receberam a medicação antipsicótica padrão e tiveram sessões ocasionais de terapia.
Mais tarde os pacientes do segundo grupo também se submeteram à terapia com avatares.
Leff falou com os pacientes por meio de seus avatares em sessões de terapia. Aos poucos, ele treinou os pacientes a confrontar as vozes.
"Eu incentivo o paciente dizendo: você não pode aceitar isso, você deve dizer ao avatar que o que ele, ou ela, está dizendo é um absurdo, que você não acredita nessas coisas, e que ele, ou ela, deve ir embora, e deixá-lo em paz. Você não precisa desse tormento," disse Leff.
"Gradualmente o avatar muda de atitude dizendo, 'tudo bem, vou te deixar em paz. Eu sei que tornei sua vida muito infeliz, como posso te ajudar?' E então começa a incentivá-los a fazer coisas que podem melhorar suas vidas," contou Leff.
No final do tratamento, os pacientes disseram que ouviam as vozes com menos frequência e que não ficavam mais tão perturbados com elas. Os níveis de depressão e os pensamentos suicidas também diminuíram, o que é particularmente relevante em um grupo de pacientes onde um em dez tenta o suicídio.

Alta taxa de abandono

O fato de apenas 16 dos 26 pacientes terem completado o tratamento foi atribuído pelos pesquisadores ao medo incutido pelas vozes que os pacientes escutam, algumas das quais "ameaçaram" ou "intimidaram" os pacientes a deixar a terapia.
Novas opções de tratamento foram aceitas por um em cada quatro pacientes com esquizofrenia que não respondem à medicação. A terapia cognitiva comportamental pode ajudá-los a lidar com as vozes, mas não costuma aliviá-las.
Um estudo maior, com 142 pacientes, está previsto para começar no mês que vem em colaboração com o Instituto de Psiquiatria do King’s College London.
O Professor Thomas Craig, que vai conduzir o estudo maior, disse: "A beleza da terapia com avatar é sua simplicidade e coragem. A maioria das terapias para esse tipo de doença é cara e demorada."
"Se nós mostrarmos que este tratamento é eficaz, esperamos que ele esteja amplamente disponível no Reino Unido em apenas dois anos. A tecnologia básica usada no tratamentos está bem desenvolvida, e muitos profissionais de saúde mental já têm as habilidades terapeuticas necessárias para aplicá-lo."

Atualizado em  3 de junho, 2013 - 14:37 (Brasília) 17:37 GMT