Estudo elimina sintomas da Esquizofrenia, a partir da manipulação de genesSegundo os autores, o resultado abre uma nova frente para lidar com o problema, cujas causas ainda não foram esclarecidas

Publicação: 26/05/2013 08:01 Atualização:

Descrita pela primeira vez há mais de 100 anos, a esquizofrenia ainda é um mal sem remédio. Apesar de psicotrópicos conseguirem controlar as diversas manifestações desta que não é uma doença, mas uma síndrome, não existe um tratamento específico para o problema, que provoca alucinações, depressão, confusão mental e deficit de memória, entre outros quadros. Além disso, a quantidade e a dosagem dos medicamentos costumam provocar efeitos colaterais graves, o que leva muitos pacientes a deixar de tomá-los, desencadeando sérias crises. Outro problema é que, embora manejem os sintomas, as drogasdisponíveis não atuam diretamente nas causas do distúrbio — que são múltiplas, incluindo a genética, segundo estudos recentes.

Há, contudo, uma esperança para os portadores da esquizofrenia, estimados em 1% da população mundial. Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram bloquear o mecanismo biológico de um forte candidato a provocar a forma genética do mal. Teoricamente, isso significa a cura para um subgrupo de pacientes, obtida a partir da terapia gênica, uma das mais promissoras para quase 2 mil doenças causadas por alterações no DNA. A pesquisa foi realizada em ratos, mas os cientistas da Universidade Georgia Regents, nos Estados Unidos, estão animados. “O estudo prova que a esquizofrenia pode ser reversível”, afirma Lin Mei, principal autor do artigo, publicado na revista Neuron (leia Três perguntas para).

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Em 2007, o cientista mostrou que níveis de uma proteína específica produzida pelo gene NRG1 tinha associação direta com o desenvolvimento do cérebro. Passados dois anos, a equipe descobriu que um problema nesse gene desencadeava sintomas da esquizofrenia em animais manipulados geneticamente. Recebido no cérebro pelo receptor ErbB4, o gene NRG1 produz a proteína neuregulina-1, substância cujos níveis alterados foi associado à esquizofrenia. 

O defeito no gene tem como consequência um aumento na quantidade circulante da proteína, algo que acaba provocando diversas disfunções nos neurotransmissores, as substâncias químicas que fazem a comunicação entre os neurônios. Agora, Mei foi além, estudando se era possível consertar o que havia de errado, obtendo sucesso no experimento. Novamente, ele usou roedores, mas, como o NRG1 está presente em humanos, há a possibilidade de o mesmo acontecer com indivíduos que sofrem do distúrbio.

Cientistas relacionam alterações no desenvolvimento cerebral à esquizofrenia


USP testa remédio para hipertensão contra sintomas da esquizofrenia Nitroprussiato de sódio combate problemas cognitivos, aponta estudo. Pesquisadores querem permitir medicação em casa em três anos.


Um grupo de pesquisadores da USP deRibeirão Preto (SP), em parceria com cientistas da Universidade de Alberta, no Canadá, deu um passo importante no tratamento da esquizofrenia, doença psiquiátrica que causa alucinações e problemas cognitivos. Em trabalho que acaba de ser publicado na revista JAMA Psychiatry, os integrantes do estudo testaram um medicamento inicialmente elaborado para combater a hipertensão arterial sistemica - um tipo mais grave da doença - que tem potencial de amenizar os principais sintomas do distúrbio mental.
Depois de sete anos de pesquisa, os cientistas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) evidenciaram os efeitos positivos, e a princípio sem resultados colaterais, da aplicação do nitroprussiato de sódio. De acordo com Jaime Hallak, um dos coordenadores do estudo, o remédio criado em 1893 ajuda a aumentar no organismo os índices de óxido nítrico, em baixa nos pacientes com a doença.
A droga foi testada em animais e depois em 10 pacientes. Segundo Hallak, o remédio se mostrou eficaz na melhora do funcionamento do sistema nervoso central. “Os resultados foram muito animadores. Foram vistos imediatamente, após algumas horas de administração. Você já observa a melhora dos pacientes em relação a seus sintomas mais proeminentes”, disse o pesquisador da USP, que, apesar disso, não confirma a cura definitiva para a esquizofrenia.
Hallak explicou que os testes ainda continuarão pelos próximos três anos. “Estamos desenvolvendo estudos para doses repetidas e para que não seja necessária a aplicação intra-hospitalar, mas que o indivíduo possa tomar essa medicação em sua própria casa.”
Mesmo com essas questões ainda em estudo, Hallak considera o nitroprussiato de sódio uma alternativa mais vantajosa em relação aos tratamentos farmacológicos já existentes, que conseguem combater a alucinação, mas não sanam outros problemas, como a perda da capacidade cognitiva. “O problema é que os medicamentos disponíveis melhoram parcialmente os sintomas que os pacientes apresentam. Dificilmente você vê um paciente voltar 100% a seu funcionamento normal, por isso a necessidade de novos estudos.”   
Do G1 Ribeirão e Franca

Pesquisa indica que uso de avatares ajuda a tratar esquizofrenia

Avatares usados no tratamento. Crédito: divulgação/University College London
Os pacientes foram convidados a criar avatares das vozes em suas cabeças

Uma pesquisa britânica indica que o uso de avatares pode ajudar no tratamento de pacientes esquizofrênicos, que escutam vozes.
O estudo, divulgado na publicação científicaBritish Journal of Psychiatry e conduzido por uma equipe da University College London, se concentrou em pacientes que não responderam à medicação padrão usada para tratar da doença.Os pacientes criaram avatares, escolhendo um rosto e uma voz que combinavam com as vozes dentro de suas cabeças.
Depois de seis sessões de terapia, quase todos os 16 pacientes que terminaram o tratamento disseram que as vozes melhoraram, e três deles disseram que as vozes pararam completamente.

Confrontando

O estudo, liderado pelo psiquiatra e professor emérito da University College London, Julian Leff, comparou 14 pacientes que se submeteram à terapia com avatares com 12 pacientes que receberam a medicação antipsicótica padrão e tiveram sessões ocasionais de terapia.
Mais tarde os pacientes do segundo grupo também se submeteram à terapia com avatares.
Leff falou com os pacientes por meio de seus avatares em sessões de terapia. Aos poucos, ele treinou os pacientes a confrontar as vozes.
"Eu incentivo o paciente dizendo: você não pode aceitar isso, você deve dizer ao avatar que o que ele, ou ela, está dizendo é um absurdo, que você não acredita nessas coisas, e que ele, ou ela, deve ir embora, e deixá-lo em paz. Você não precisa desse tormento," disse Leff.
"Gradualmente o avatar muda de atitude dizendo, 'tudo bem, vou te deixar em paz. Eu sei que tornei sua vida muito infeliz, como posso te ajudar?' E então começa a incentivá-los a fazer coisas que podem melhorar suas vidas," contou Leff.
No final do tratamento, os pacientes disseram que ouviam as vozes com menos frequência e que não ficavam mais tão perturbados com elas. Os níveis de depressão e os pensamentos suicidas também diminuíram, o que é particularmente relevante em um grupo de pacientes onde um em dez tenta o suicídio.

Alta taxa de abandono

O fato de apenas 16 dos 26 pacientes terem completado o tratamento foi atribuído pelos pesquisadores ao medo incutido pelas vozes que os pacientes escutam, algumas das quais "ameaçaram" ou "intimidaram" os pacientes a deixar a terapia.
Novas opções de tratamento foram aceitas por um em cada quatro pacientes com esquizofrenia que não respondem à medicação. A terapia cognitiva comportamental pode ajudá-los a lidar com as vozes, mas não costuma aliviá-las.
Um estudo maior, com 142 pacientes, está previsto para começar no mês que vem em colaboração com o Instituto de Psiquiatria do King’s College London.
O Professor Thomas Craig, que vai conduzir o estudo maior, disse: "A beleza da terapia com avatar é sua simplicidade e coragem. A maioria das terapias para esse tipo de doença é cara e demorada."
"Se nós mostrarmos que este tratamento é eficaz, esperamos que ele esteja amplamente disponível no Reino Unido em apenas dois anos. A tecnologia básica usada no tratamentos está bem desenvolvida, e muitos profissionais de saúde mental já têm as habilidades terapeuticas necessárias para aplicá-lo."

Atualizado em  3 de junho, 2013 - 14:37 (Brasília) 17:37 GMT

Drogas para a esquizofrenia Medicamentos usados ...

Cloropromazina

A cloropromazina é uma fenotiazina alifática. As fenotiazinas são conhecidas por ativar seus efeitos antipsicóticos e antieméticos na interferência nas vias dopaminérgicas centrais nas áreas quimiorreceptoras gatilho mesolímbicos e medulares do cérebro, respectivamente. Efeitos colaterais extrapiramidais são resultado da interação com vias dopaminérgicas dos gânglios basais. Embora freqüentemente chamados bloqueadores de dopamina, o mecanismo exato da interferência dopaminérgica responsável pela atividade antipsicótica da droga não foi determinado.


As fenotiazinas alifáticas são altamente sedativas, principalmente no início do tratamento, desenvolvendo-se posteriormente uma tolerância. A cloropromazina tem forte atividade alfa-adrenérgica bloqueadora e pode causar hipotensão ortostática. A clopromazina tem moderada atividade anticolinérgica manifestada como boca seca, visão embaçada, retenção urinária e constipação ocasionais.

A cloropromazina aumenta a secreção de prolactina devido à sua ação bloqueadora nos receptores de dopamina na pituitária e no hipotálamo. Podem ocorrer galactorréia e ginecomastia.

Clozapina


A clozapina, dibenzodiazepina, é uma droga antipsicótica atípica porque seu perfil de ligação aos receptores de dopamina e seus efeitos sobre vários comportamentos mediados pela dopamina diferem dos de outros antipsicóticos. A clozapina exerce forte atividade anticolinérgica, adrenolítica, antihistamínica e antiserotoninérgica.

Em raras ocasiões os pacientes podem manifestar uma intensificação da atividade sonhadora durante a terapia. Descobriu-se que a fase REM é aumentada para até 85% do tempo total de sono.

A clozapina é indicada unicamente à pacientes que apresentam intolerância ou não respondem ao tratamento com antipsicóticos convencionais, devido ao seu forte poder agranulocitocítico.

Haloperidol (Haldol)


O haloperidol é uma butiroferona derivada com propriedades antipsicóticas consideradas particularmente efetivas no controle da hiperatividade, agitação e mania. O mecanismo de ação do haloperidol foi atribuído à inibição do mecanismo de transporte de monoaminas cerebrais, particularmente pelo bloqueio da transmissão de impulsos em neurônios dopaminérgicos. 


Risperidona


A risperidona (Risperdal) é um bloqueador de receptores de dopamina que mostrou regular superioridade de benefícios em comparação com os antipsicóticos. Assim como a clozapina, a risperidona pode ter um efeito benéfico nos sintomas negativos. A risperidona também pode melhorar a memória de trabalho verbal, um problema comum em esquizofrênicos. Em geral, tem poucos efeitos extra-piramidais, embora podendo ocorrer em doses mais altas. Os efeitos colaterais comuns incluem a insônia, ganho de peso e vertigem.


Olanzapina


A olanzapina (Zyprexa) pode ser mais eficiente no bloqueio da serotonina e neurotransmissores de dopamina, do que a clozapina, a que tem um risco maior para diminuição para confiscações e agranulocitoses. Os estudos indicam que pelo menos é eficiente para os sintomas agudos e possívelmente mais eficiente para os negativos do que neurolépticos típicos e que possuem um risco menor para causar sintomas extrapiramidais. A droga pode também ser benéfica para pacientes que não respondem às drogas neurolépticas. Um novo estudo sugere que a olanzapina também pode ser mais eficiente que a risperidona, particulamente na resposta para os sintomas negativos, mas ainda é necessário mais pesquisas para confirmação dos resultados. Assim como a risperidona, a olanzapina pode causar insônia, ganho de peso e vertigem. Outras drogas atípicas são a Ziprasidona e quetiapina (Seroquel - não encontrei no Vade-mécum - Brasil) que são promessas de novas drogas. A ziprasidona, que afeta a serotonina assim como a dopamina, também pode melhorar os sintomas negativos com efeitos colaterais extrapiramidais limitados. A aripiprazola e iloperidona são outras drogas atípicas em desenvolvimento. 


Efeitos Colaterais da Medicação contra Esquizofrenia ...


Síndrome Maligna Neuroléptica


As características principais da SMN são hiperpirexia, rigidez muscular, status mental alterado (incluindo sinais catatônicos) e instabilidade autonômica (pulso irregular ou pressão sangüínea instável). Adicionalmente, podemos ter elevado CPK, mioglobinúria e falência renal aguda. A SMN é rara mas potencialmente fatal e, portanto, requere um tratamento sintomático suporte. A interrupção imediata do tratamento neuroléptico é obrigatória.


Discinesia Tardia


Uma síndrome consistindo de movimentos discinéticos involuntários e potencialmente irreversíveis pode desenvolver-se em pacientes tratados com drogas antipsicóticas convencionais. Embora a prevalência de discinesia tardia com antipsicóticos convencionais parece ser maior entre os idosos, especialmente mulheres idosas, é impossível basear-se em estimativas de prevalência para predizer, no início do tratamento, quais pacientes estão propensos a desenvolver a síndrome.


Agranulocitose


É definido como uma contagem de granulócitos abaixo de 500/mm(3).


O tratamento dos efeitos colaterais extrapiramidais


Em geral, os efeitos colaterais extrapiramidais decorrentes das drogas neurolépticas são tratados de início, pelo médico, reduzindo a dosagem ou receitando um interruptor, droga atípica. Os efeitos extrapiramidais podem realmente assemelhar-se aos da doença de Parkinson (ocasionado por baixos níveis de dopamina), e então o médico pode prescrever drogas anticolinérgica e anti-parkinsoniana que aumentam os níveis de dopamina, ajudando a restaurar o equilíbrio. Entre os anticolinérgicos mais comuns utilizados, são o cloridrato de triexifenidila 2 ou 5 mg (Artane, Triexidyl), cloridrato de de biperideno 2 e 4 mg ampola com solução injetável, 1ml contendo lactato de biperideno 5m IM ou IV (Cinetol, Akineton) e benzotropina (não encontrei nome comercial desta droga no Vade-mécun, entretanto adicionei o cloridrato de biperideno - Akineton, comumente utilizado no Brasil). Algumas destas drogas também podem ser úteis quando administradas a sintomas negativos da esquizofrenia. O uso de anticolinérgicos, entretanto, aumenta o custo e complica o equilíbrio de sérios efeitos colaterais. Comumente causam secura na boca podendo ocorrer náuseas, visão turva, índice aumentado de batimentos cardíacos, constipação e retenção urinária em homens com aumento prostático. Os portadores de glaucoma devem utilizar estas drogas cautelosamente. Os anticolinérgicos podem causar problemas mentais significativos, incluindo perda de memória, confusão e alucinações, semelhantes aos sintomas da esquizofrenia. Elas também reagem com o álcool e anti-histamínicos. A maioria dos especialistas opõe-se ao uso de rotina de drogas antiparkisonianas para a esquizofrenia e os recomenda somente para pacientes que não podem ser controlados regularmente e para quem necessita de altas doses de antipsicóticos e correm grande risco para os efeitos colaterais desta. Os especialistas recomendam sua retirada após três ou quatro meses, se possível. Se os sintomas persistirem, as drogam podem ser substituídas. Deve ser anotado que a retirada dos anticolinérgicos podem causar depressão e exacerbar a esquizofrenia.


IMPORTANTE
  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no blog de Campos possuem apenas caráter educativo.



Possessão: Esquizofrenia, obsessão e ignorância


Anneliese Michel, uma garota alemã conhecida de poucos por ter sido “possuída”, mas cuja história deu origem a um filme lançado em 2005, supostamente baseado em fatos reais e com o título de “O Exorcismo de Emily Rose” (conhecido por muitos). Como tudo na vida, uma coisa leva a outra, mas sempre por um caminho que passa por longe da razão.
E o que é essa tal de razão afinal? Muitos dizem que na verdade ela nunca existiu, outros falam que ela é apenas tímida. Mas de uma coisa temos certeza: é difícil encontra-la por aí, dando bobeira. É certo que ela tem seus motivos. Quem não sentiria vergonha de aparecer ao lado de seres como nós? Mitologicamente inteligentes e desconcertantemente ignorantes.
Mas antes que eu comece a comprometer essa minha amiga em particular, vamos voltar a Anneliese, que mesmo hoje em dia consegue impressionar muita gente com suas fotos de olho inchado e seus audios com a voz grossa.
Quando essa moça já estava muito mal, ela “viu” a virgem Maria em um sonho. Neste, ela lhe ofereceu a oportunidade de se livrar dessa “maldição” ou continuar com ela até morrer e servir de exemplo para as pessoas que não levam a religião mais a sério hoje em dia.
Apesar de pouco conveninete para ela como pessoa física, e deveras interessante para a Igreja como instituição, a própria escolheu a segunda opção. Mas todo esse conto esconde fatos.
Para a maioria das pessoas, é muito fácil aceitar de primeira esse papinho de deus, diabo e tudo o mais. Mas para aqueles que tem um pouquinho mais de curiosidade, podemos nos aprofundar mais nessa “estoria” e tentar absorver mais informações do que a igreja gostaria que soubéssemos (viva a internet!).
Pra começar, os padres que fizeram o exorcismo da Anneliese foram condenados a seis meses de prisão efetiva, e 3 anos de pena suspensa (ops!).
Antes do início do processo, os pais de Anneliese solicitaram às autoridades locais uma permissão para exumar os restos mortais de sua filha. E adivinha o porque? Eles fizeram esta solicitação em virtude de terem recebido uma mensagem de uma freira carmelita do distrito de Allgaeu, no sudoeste da Baviera. A freira relatou aos pais da jovem que teria tido uma visão na qual o corpo de Anneliese ainda estaria intacto ou incorrupto, e que esta seria a prova definitiva do caráter sobrenatural dos fatos ocorridos. O motivo oficial que foi dado às autoridades foi o de que Anneliese tinha sido sepultada às pressas em um sarcófago precário.
Mas como todos os religiosos, a irmã estava errada. Os relatórios oficiais, divulgaram que o corpo já estava em avançado estado de decomposição. As fotos que foram tiradas durante a exumação jamais foram divulgadas. Os pais e os padres exorcistas foram desencorajados a ver os restos mortais de Anneliese. O padre Arnold Renz mais tarde afirmou que teria sido, inclusive, advertido a não entrar no mortuário.
Anneliese Michel era de uma família extremamente católica, três das suas tias eram freiras e seu pai tinha considerado a ingressão num seminário. Mas a mãe de Annelise tinha cometido um “deslize” na juventude e dado à luz uma filha ilegítma, Martha, em 1948. Por essa razão casou-se com o devoto Josef Michel usando um véu negro e, praticamente desde que nasceu, em 1952, Anneliese carregou a culpa da ilegitimidade da irmã. Ilegitimidade que foi encorajada a compensar com constante devoção e orações. A irmã morreu com oito anos e certamente que o ambiente familiar de fanatismo religioso propiciou um sentimento de culpa crescente na jovem Anneliese, e uma necessidade de expiação dos pecados não só da mãe, mas igualmente da “imoralidade” que via à sua volta, nos anos sessenta.
Ela também era epiléptica. E você sabe o fatores que catacterizam a epilepsia meu caro leitor? Epilepsia é uma alteração na atividade elétrica do cérebro, temporária e reversível, que produz manifestações motoras, sensitivas, sensoriais, psíquicas ou neurovegetativas (disritmia cerebral paroxística). Os seus sintomas, para além da já diagnosticada epilepsia, sugerem que ela sofria de esquizofrenia, ambas doenças perfeitamente tratáveis na época (ignorância wins!).
O que de fato potencializou todos esses sintomas que foram diagnosticados na época por especialistas, foram as obsessões religiosas.
Em 1968, com 17 anos, Anneliese teve os primeiros episódios de convulsões e foi diagnosticada com epilepsia. Mas o sentimento de culpa pelos “pecados” alheios aliado ao ambiente familiar (doentiamente) católico propiciaram que Anneliese experienciasse alucinações demoníacas quando rezava. Em 1973, data em que foi estreado o filme “O exorcista”, sofria de depressão severa e considerava suicídio, uma vez que “vozes” na sua cabeça lhe anunciaram que estava amaldiçoada.
Eu queria saber porque nunca vi nenhum ateu sendo “possuído”. =o
Certamente que a estreia do filme a sugestionou. Pouco depois ela começou a apresentar comportamentos bizarros, muito semelhantes aos de Linda Blair, a Regan no “Exorcista”. Em 1975 Anneliese estava tão convencida da sua possessão por demónios sortidos, possessão confirmada pelos dois prelados católicos, Arnold Renz e Ernst Alt, que identificaram, entre outros, Lúcifer, Judas, Nero, Caim e Adolf Hitler, que recusou qualquer prescrição médica ou tratamento da Clínica Psiquiátrica de Wurzburg.
Eu diria mais, que além de esquizofrenia, ela poderia até mesmo ter dupla personalidade, uma seria a Anneliese, e a outra o “demônio”. Sem contar a lavagem cerebral que essa garota sofreu pela religião, que com certeza foi o que a fez considerar um tratamento médico do século dezesseis, que eram os exorcismos realizados de acordo com o manual de exorcismo então em vigor, o Rituale Romanum de 1614. E todos os fatos relatados aqui se passam depois da renascença!
Posteriormente a toda essa confusão de padres sendo presos e tudo o mais, uma comissão da Conferência dos Bispos Alemães declarou que Anneliese Michel não tinha estado possessa, o que foi considerado por muitos como um ato de autopreservação da Igreja Católica.
A verdade é que estamos longe de uma era da razão, e tudo o que impede nosso avanço é essa maldita religião, que sempre esteve aqui única e exclusivamente para limitar nossa liberdade intelectual a fim de ter o controle das pessoas. Mas infelizmente, pior são as próprias pessoas que permitem isto. Não vivemos mais na era da inquisição.
E antes que alguém me discrimine por ser ateu, digo que todos já fomos ateus um dia, ninguém nasce com fé em deus, isso é lavagem cerebral. Se eu pegasse uma revista do super-homem e lhe dissesse desde criança que aquilo era a verdade, o caminho e a vida, seria nisso que você iria acreditar hoje em dia.
Mas também não digo que você não precisa ter fé no que você acredita, até porque a religião não é dona da fé, ela apenas se apossou dela, como de tantas outras coisas em nossa história.
Anneliese Michel estava doente e não foi ao medico, foi a Igreja. Veja o que aconteceu com ela. E você, quando fica doente, vai aonde?
Mas afinal, quem sou eu pra dizer alguma coisa? A religião sempre esteve certa sobre tudo. Nunca disse uma inverdade em toda sua existência, é incrível como eles estão sempre certos. Não é possível que essa história de um tal de deus não seja verdadeira. Afinal, O Sol gira em torno da terra; o mundo é quadrado; Jesus é um herege; Jesus é um santo; Essa bíblia ta estranha, vamos editar e fazer um novo testamento; Não use camisinha; O mundo tem 12 mil anos, etc, etc, etc…

Pastores e padres negam doença mental de seguidores


pregando

Um estudo com membros instituições cristãs que abordaram suas igrejas com problemas pessoais, ou de um membro da família, com doença mentaldiagnosticada descobriu que 32% ouviram seu pastor ou padre dizer que não tinham problemas mentais.
Segundo eles o problema era unicamente de natureza espiritual.
Outros estudos também descobriram que os clérigos, e não profissionais da área mental como psicólogos e psiquiatras, são as fontes mais comuns de busca por ajuda em tempos de agonia psicológica.
“O resultados são perturbadores, pois sugerem que indivíduos das igrejas locais estão negando ou desconsiderando um grande percentual de diagnósticos de saúde mental”, disse Matthew Stanford, o coordenador do estudo realizado na Universidade Baylor, nos EUA.
Segundo Matthew as pessoas correm um grande perigo, pois além de ouvirem que não tem uma doença mental lhes dizem para pararem de tomar seus medicamentos.
O estudo também descobriu que a mulher tem mais chance do que homens de ter seudistúrbio mental desconsiderados pela igreja.
Todos os 293 participantes do estudo haviam sido diagnosticados anteriormente por um profissional da saúde mental como portador de uma séria doença mental comotranstorno bipolar e esquizofrenia, antes de buscarem ajuda na igreja. 


Diferentes Tipos de Esquizofrenia

Podemos dizer que são todos diferentes, pois existem 6 tipos diferentes de esquizofrenia.

Esquizofrenia residual:

Refere-se a uma esquizofrenia que já tem muitos anos e com muitas consequências. Neste tipo de esquizofrenia podem predominar sintomas como o isolamento social, o comportamento excêntrico, emoções pouco apropriadas e pensamentos ilógicos.

Esquizofrenia simples:

Normalmente, começa na adolescência com emoções irregulares ou pouco apropriadas, pode ser seguida de um demorado isolamento social, perda de amigos, poucas relações reais com a família e mudança de personalidade, passando de sociável a anti-social e terminando em depressão. É também pouco frequente.

Esquizofrenia Indiferenciada:

Apesar desta classificação, é importante destacar que os doentes esquizofrénicos nem sempre se encaixam perfeitamente numa certa categoria. Também existem doentes que não se podem classificar em nenhum dos grupos mencionados. A estes doentes pode-se atribuir o diagnóstico de esquizofrenia indeferenciada.

Esquizofrenia Paranóide:

Predominam sintomas positivos como alucinações e enganos, com uma relativa preservação o funcionamento cognitivo e do afectivo, o inicio tende ser mais tardio que o dos outros tipos. É o tipo mais comum e de tratamento com melhor prognóstico, particularmente com relação ao funcionamento ocupacional e à capacidade para a vida independente.

Esquizofrenia Catatónica:

Sintomas motores característicos são proeminentes, sendo os principais a actividade motora excessiva, extremo negativismo (manutenção de uma postura rígida contra tentativas de mobilização, ou resistência a toda e qualquer instrução), mutismo, cataplexia (paralisia corporal momentânea), ecolalia (repetição patológica, tipo papagaio e aparentemente sem sentido de uma palavra ou frase que outra pessoa acabou de falar) e ecopraxia (imitação repetitiva dos movimentos de outra pessoa). Necessita cuidadosa observação, pois existem riscos potenciais de desnutrição, exaustão, hiperpirexia ou ferimentos auto-infligidos. O tratamento, portanto, é bem difícil.

Esquizofrenia Desorganizada:

Discurso desorganizado e sintomas negativos como comportamento desorganizado e achatamento emocional predominam neste tipo de esquizofrenia. Os aspectos associados incluem trejeitos faciais, maneirismos e outras estranhezas do comportamento. É o tipo que tem tratamento mais complicado.
Também e de referir um outro tipo que é esquizofrenia infantil, um tipo raro de esquizofrenia (0,5% dos casos), não incluído no DSM. Ocorre bem cedo na vida do indivíduo (os primeiros problemas surgem entre os 6 e 7 anos de idade). É bastante severa, tendo sintomas e disfunções mais intensas, além de um tratamento mais difícil. Ainda não foi perfeitamente explicado o mecanismo que determina a esquizofrenia infantil. Factores ambientais não exercem qualquer influência sobre o aparecimento da doença, o que leva a acreditar que a base dela é puramente genética. Características psicológicas incluem falta de interesse, ecopraxia, ecolalia , baixo QI e outras anormalidades.

A esquizofrenia é causada por defeitos genéticos, porém os cientistas ainda não descobriram em qual cromossomo, dos 46 que o homem tem, está a imperfeição.

Cientistas desconfiam que há várias doenças mentais recebendo um mesmo nome: esquizofrenia, conceito relacionado a uma imensa dificuldade em associar idéias, apatia e perda de contato com a realidade - demência, em suma. Desde a década de 70 existe a suspeita de que o problema é hereditário, por causa da incidência maior em pessoas da mesma família. Uma equipe de pesquisadores ingleses, americanos e islandeses, ao estudar sete famílias - que, juntas, tinham 39 esquizofrênicos -, descobriu recentemente que nessas pessoas um cromossomo sempre é imperfeito.
Embora não percebessem se havia um ou mais genes defeituosos, os cientistas apontaram o cromossomo número 5 (dos 46 que o homem tem) como principal suspeito pela doença. Outra equipe americana, porém, estudou famílias suecas com grande número de esquizofrênicos e nelas o quinto cromossomo era normal.
Esses estudos, de qualquer maneira, reforçam a teoria de que diferentes defeitos genéticos poderiam causar a doença - cujos sintomas, aliás, parecem variar conforme o gene defeituoso.

AS MARCAS DA ESQUIZOFRENIA



Conviver com um doente com esquizofrenia não é tarefa fácil. Envolve perigos e medos psicológicos e até físicos. Alexandra Mota, irmã de um doente com esquizofrenia, revela situações verdadeiramente traumatizantes. "Quem vive com um esquizofrénico fica com marcas profundas para o resto da vida". Marcas que, segundo Alexandra, se escondem por detrás de muitas portas.Qual o perfil de um esquizofrénico?Um médico psiquiatra será, talvez, a pessoa mais aconselhada para traçar um perfil clínico. No entanto, da vivência que tenho, poderia dizer que um esquizofrénico é alguém que perde a capacidade de pensar de uma forma lógica e, consequentemente, de comunicar e de se relacionar, passando a viver num mundo paralelo e sem as normas pelas quais se regem as pessoas ditas normais. Entrámos no mundo da loucura.Imaginemos uma corrente composta por vários elos interligados. Esta seria a metáfora para o pensamento lógico. Num esquizofrénico, os elos da corrente soltam-se e as ideias surgem sem uma sequência causal, condicionando o comportamento e os sentimentos.Aquilo que é realidade hoje poderá deixar de ser amanhã. Objectos, palavras, números, cores... ganham significados totalmente inesperados: "Os barcos que atracam no Tejo estão a espiar-me"; "o gravador tinha escutas"; "a comida tem veneno"...Mudanças súbitas de humor, desconfiança extrema, provocação, confusão, isolamento, incompreensão... a intercalar, alguns momentos de lucidez, arrependimento, choro, desamparo total... procura desesperada de um carinho...Ainda assim, os medicamentos existentes permitem criar uma ligação artificial entre estes elos da corrente, razão pela qual um doente que aceda a fazer um tratamento efectivo e continuado poderá alterar estas características e voltar a aproximar-se do 'mundo real', tal como o conhecemos.Há episódios que tenham ocorrido consigo (e o seu irmão) que tenham envolvido algum perigo, violência...?Sim, comigo e com os restantes membros da família. O internamento hospitalar que levou ao início do tratamento do meu irmão foi feito sob escolta policial, depois de uma agressão a mim e aos meus pais.Mas não foi esta a primeira situação de violência: ameaças de violação feitas directamente a mim; a minha mãe foi queimada com o ferro de engomar; a minha avó, já com 80 anos, empurrada para o chão; uma faca apontada ao pai; as portas e armários partidos a murro, vários equipamentos eléctricos (aparelhagem, etc.) partidos... provocações constantes a vizinhos e amigos da família... ameaças...Que riscos há em viver com um doente destes (para os familiares e amigos)?Quando o doente se encontra descompensado, sem medicação, existem verdadeiros riscos físicos (de vida) e psicológicos, essencialmente, para os familiares, já que a amizade raramente resiste a uma situação de esquizofrenia grave.E se os riscos físicos são visivelmente os mais graves, os psicológicos são tremendos. O medo permanente, a sensação de impotência de não conseguir travar a doença de um filho ou de um irmão, o trauma emocional de chegar a odiar alguém que se ama... e ninguém, nenhuma instituição, a que se possa recorrer...Eu diria mesmo que quem vive com um esquizofrénico fica com marcas profundas para o resto da vida. A sensação de medo volta a cada estrondo... mesmo depois de anos. A preocupação, o nervosismo...E os riscos existem também para o próprio esquizofrénico que tende a autoflagelar-se, embora isto nunca tenha chegado a suceder com o meu irmão.Que alternativas têm os familiares que não queiram/possam viver com estes doentes? Onde os podem colocar? Qual o dispêndio aproximadamente?Existem muito poucas alternativas, especialmente se o doente não quiser ser tratado/internado. Apesar de um esquizofrénico ser considerado inimputável perante a lei, no caso de cometer um crime, é considerado responsável para decidir se quer ser internado. (Eu diria que o próprio sistema de saúde sofre de uma dose considerável de esquizofrenia.)Desde que este seja adulto, mesmo depois de diagnosticada a esquizofrenia, o doente continua a ser responsável por ele próprio perante as entidades de saúde. Uma realidade inacreditável para quem deveria saber melhor do que ninguém que quase nenhum esquizofrénico reconhece a sua doença.A opinião dos médicos, daqueles com quem falei, é a de que retirar o doente da família é cortar os últimos laços com a realidade. Compreendo perfeitamente essa perspectiva e concordo, desde que não seja generalizada a todos os casos e não seja aplicada em situações limite.No dia em que o meu irmão foi hospitalizado no Júlio de Matos seria talvez a terceira ou quarta vez que ali era levado pela polícia, depois de agressões à família. Mesmo assim, o médico deu-lhe alta e mandou-o regressar a casa.Segundo o médico, o meu irmão já estava bem e não voltaria a agredir ou a pôr em risco as vidas dos familiares. No entanto, quando lhe 'sugerimos' que escrevesse e assinasse uma declaração onde afirmaria isto mesmo e onde se responsabilizaria pelo que sucedesse no futuro, o seu discurso alterou-se radicalmente e só assim ficou internado. Um internamento de cerca de dois meses.Há várias instituições que recebem os doentes que acedem em tratar-se (desconheço preços, porque na altura a minha família não tinha possibilidades de pagar). Penso até que existem instituições não governamentais e sem fins lucrativos que apoiam alguns destes casos, mais como um apoio de tempos livres, do que propriamente como um local de tratamento.Quando é que ao seu irmão lhe foi diagnosticada a doença? Qual foi a evolução da doença? Quais são os seus comportamentos no quotidiano?A doença manifestou-se aos 21 anos e, inicialmente, pensamos tratar-se de uma depressão nervosa. Terá sido diagnosticada talvez dois anos depois. Até então, era uma pessoa reservada e algo nervosa mas perfeitamente normal, muito responsável com o seu emprego, com os seus amigos...Durante cerca de dez anos recusou o tratamento e só depois do internamento hospitalar acedeu continuar a medicação e o acompanhamento médico.Hoje, tem 36 anos, está em casa praticamente todo o dia. Não trabalha, não tem amigos, não se relaciona com praticamente ninguém a não a ser com a família, mas consegue ter conversas coerentes, gestos meigos e carinhosos, preocupações com os pais e irmãos, brincadeiras com o sobrinho.Continua a ir, uma vez por mês, ao hospital Júlio de Matos, onde toma uma injecção. A restante medicação é tomada por ele próprio, por sua iniciativa, e tem sido reduzida gradualmente, tornando-se praticamente imperceptível (não está drogado ou adormecido por comprimidos).Continuamos a tentar que crie e reforce novos laços e volte a socializar-se...Porque é que muitos doentes se recusam a ser medicados e porque é que apresentam uma força física enorme quando se vêem contrariados?A recusa dos medicamentos é própria de quem acha que não está doente e que todos os que o rodeiam só querem destruí-lo. Aquilo a que chamamos 'mania da perseguição' é uma das características da doença e por isso o doente acha que é o mundo inteiro quem lhe quer fazer mal, sejam os médicos ou os familiares.A força física é algo que não consigo explicar porque nunca consegui perceber. Talvez a canalização de toda a energia (e nós não somos senão energia) num único acto, num mesmo momento...Gostaria de acrescentar que, só no local onde vivo, um bairro como tantos outros, na cidade de Lisboa, conheço cerca de seis casos de esquizofrenia, a maioria em jovens, mas não só. Todos eles e as suas famílias viveram (alguns continuam a viver) situações dramáticas que duram décadas e décadas.Há um caso de um doente, que deve ter hoje mais de 40 anos, que está fechado num quarto há cerca de 20 anos. Ninguém, nem a própria mãe, se pode aproximar dele. Não se lava, não se veste... A comida é colocada à porta...E estamos a falar de um ser humano que vive num país que se diz desenvolvido e globalizado, mas que ignora totalmente o que se passa atrás de cada porta, especialmente quando o problema se relaciona com a saúde mental.






Trabalho realizado por:
Escola Secundária da Baixa da Banheira
Revisto por Astrid Moura Vicente, investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência


Medicamentos para a esquizofrenia ...

  Os medicamentos e outros tratamentos para a esquizofrenia, quando usados regularmente e de acordo com a prescrição, podem ajudar a reduzir e a controlar os sintomas incapacitantes da doença. No entanto, algumas pessoas não conseguem obter ajuda considerável a partir dos tratamentos disponíveis pois interrompem prematuramente o tratamento devido aos efeitos secundários desagradáveis ou por outras razões. Mesmo quando o tratamento é eficaz, as consequências persistentes da doença (tais como perda de oportunidades, estigmas, sintomas residuais e efeitos secundários da medicação) podem ser muito difíceis e limitantes para os doentes, impedindo-os de terem uma vida normal.


A história dos medicamentos para a esquizofrenia

Os primeiros medicamentos eficazes para o tratamento da esquizofrenia foram desenvolvidos no meio da década de 50. Existe uma série de medicamentos antipsicóticos diferentes, ditos "convencionais". Estes medicamentos parecem actuar sobretudo através da redução dos efeitos do neurotransmissor dopamina no cérebro. A sua principal eficácia consiste no tratamento dos sintomas positivos, o que permite a muitos doentes permanecerem fora do hospital e de desempenharem bem as suas funções na comunidade. No entanto, não parecem ser muito eficazes nos sintomas negativos da esquizofrenia nem nos sintomas relacionados com o humor (sintomas afectivos). Além disso, alguns doentes podem responder de forma deficiente ou mesmo não responder a estes medicamentos. Os neurolépticos convencionais apresentam também uma série de efeitos adversos desagradáveis e os doentes podem ter a necessidade de tomar outros medicamentos para os controlarem. Os efeitos secundários podem contribuir para que os doentes não tomem os seus medicamentos (ausência de adesão - "nem compliance"), o que pode levar ao reaparecimento dos sintomas da esquizofrenia (recidivas).
Na última década, surgiram diversos medicamentos eficazes para a esquizofrenia com frequência e gravidade de efeitos secundários do que com os medicamentos mais antigos.

Novos medicamentos para a esquizofrenia
Os novos antipsicóticos parecem bloquear quer os efeitos da serotonina quer da dopamina e como consequência parecem ter efeitos numa gama mais alargada de sintomas. São eficazes no tratamento da psicose, incluindo alucinações e delírios, e podem ser úteis no tratamento dos sintomas negativos da doença, tais como falta de motivação ou expressão emocional embotada.
A grande maioria das pessoas com esquizofrenia mostram melhoria substancial quando tratadas com medicamentos antipsicóticos. No entanto, alguns doentes não obtêm ajuda com os medicamentos disponíveis e alguns não parecem necessitar deles. É difícil prever quais os doentes que se enquadram em cada um destes dois grupos e distingui-los da grande maioria dos doentes que beneficiam do tratamento com os medicamentos antipsicóticos.
Os doentes e as suas famílias ficam muitas vezes preocupados com os medicamentos antipsicóticos utilizados para tratar a esquizofrenia. Além das preocupações relativas aos efeitos secundários, preocupam-se com o facto destes medicamentos poderem levar a habituação. No entanto, os fármacos antipsicóticos não produzem um humor "elevado" (euforia) ou dependência (vício) nas pessoas que os tomam. Uma outra ideia errada relativa aos medicamentos antipsicóticos consiste em considerar que estes actuam como uma espécie de controladores da mente ou um "colete de forças químico". Se usados nas doses apropriadas, os fármacos antipsicóticos não põem as pessoas "fora de combate" nem lhes retiram a sua livre decisão. Embora estes fármacos possam ser sedativos e este efeito possa ser útil em circunstâncias especiais (tal como no início do tratamento, especialmente se o indivíduo estiver muito agitado), a utilidade destes fármacos não se deve à sedação mas sim à sua capacidade de reduzir as alucinações, a agitação, confusão e delírios associados a um episódio psicótico. Desta forma, os medicamentos antipsicóticos acabam por ajudar os indivíduos com esquizofrenia a lidar duma forma mais racional com o mundo.
Os antipsicóticos reduzem o risco de episódios psicóticos futuros em doentes que recuperaram dum episódio agudo. Mesmo com o tratamento continuado, muitas pessoas que recuperaram irão sofrer recaídas. No entanto, verificam-se, de longe, muito mais recaídas quando o tratamento é interrompido. Na maioria dos casos, não será correcto dizer que o tratamento continuado "evita" o aparecimento de recidivas, mas sem dúvida que reduz a sua intensidade e frequência. O tratamento dos sintomas psicóticos graves exige geralmente doses mais elevadas do que as utilizadas para o tratamento de manutenção. Se os sintomas reaparecem com uma dose mais baixa, um aumento temporário pode prevenir o aparecimento duma recaída completa.
Uma vez que as recidivas são mais prováveis quando os medicamentos antipsicóticos são interrompidos ou tomados de forma irregular, é muito importante que as pessoas com esquizofrenia colaborem com os seus médicos e famílias de forma a manterem-se fiéis ao seu esquema de tratamento. Isto envolve tomar o medicamento apropriado na dose correcta e nas alturas certas do dia, ir às consultas médicas e seguir de forma escrupulosa todos os outros procedimentos relacionados com o tratamento. Embora isto seja muitas vezes difícil para as pessoas com esquizofrenia, tal fardo pode tornar-se mais leve com a ajuda de várias estratégias e consequentemente pode conseguir-se uma melhoria da qualidade de vida.

Efeitos secundários
Os antipsicóticos, tais como quase todos os medicamentos, têm efeitos indesejáveis para além dos seus efeitos benéficos. Durante a fase inicial do tratamento, os doentes podem ser afectados por efeitos secundários tais como sonolência, agitação, espasmos musculares, tremor, secura de boca, ou visão turva. A maioria deles pode ser corrigida com a diminuição da dose ou podem ser controlados com outros medicamentos. A resposta ao tratamento com antipsicóticos e os efeitos secundários associados variam de doente para doente. Determinados doentes podem responder melhor a um fármaco que a outro.
Os efeitos dos antipsicóticos, a longo-prazo, podem colocar um problema consideravelmente mais grave. A discinesia tardia (DT) é uma situação que se caracteriza por movimentos involuntários, na maioria das vezes afectando mais frequentemente a boca, lábios e língua e algumas vezes o tronco ou outras partes do corpo tais como os braços e as pernas. Ocorre em cerca de 15 a 20% dos doentes que receberam os antipsicóticos mais antigos durante muitos anos, mas a discinesia tardia também pode surgir em doentes sob tratamento com estes fármacos durante períodos mais curtos de tempo. Na maioria dos casos, os sintomas da discinesia tardia são ligeiros e o doente pode nem ter consciência destes movimentos, mas em alguns casos podem ser muito incapacitantes e graves.
Os novos antipsicóticos parecem ter um risco muito menor de produzir DT que os outros fármacos mais antigos. No entanto, o risco não é nulo e podem também produzir outros efeitos secundários tais como aumento de peso. Além disso, se administrados em doses demasiado elevadas, os antipsicóticos mais recentes podem provocar problemas tais como retirada social e sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, que afecta o controlo dos movimentos. Embora os medicamentos mais recentes sejam geralmente melhor tolerados que os convencionais, o perfil de efeitos adversos dos agentes atípicos varia e estas diferenças podem afectar a adesão do doente ao esquema de tratamento. Assim, podem surgir efeitos secundários tais como boca seca, visão turva, obstipação e confusão. Os neurolépticos atípicos também se associam com sedação, sonolência, estimulação do apetite e ganho de peso, juntamente com alterações da pressão arterial (PA), do ritmo cardíaco e vertigens.
No entanto, os novos antipsicóticos constituem um avanço muito importante no tratamento destes doentes, e a optimização do seu uso em doentes com esquizofrenia é um tema actualmente objecto de investigação aprofundada.

O impacto da esquizofrenia
A maioria das pessoas com esquizofrenia sofrem ao longo das suas vidas, perdendo desta forma oportunidades de carreira e de relacionamento. Como consequência da falta de compreensão pública existente relativamente à doença as pessoas com esquizofrenia, muitas vezes, sentem-se isoladas e estigmatizadas e podem ter relutância ou incapacidade em falar sobre a sua doença. Embora a disponibilidade de novos medicamentos com menos efeitos secundários tenha melhorado a vida de muita gente, mesmo actualmente, apenas numa pessoa em cada cinco das afectadas pode falar em "recuperação" da doença e uma, em cada dez pessoas com esquizofrenia, cometem suicídio.
De todas as doenças mentais, a esquizofrenia é provavelmente a que apresenta mais dificuldades para todos os envolvidos. Os doentes sofrem, sem qualquer dúvida, uma enorme perturbação das suas vidas. No entanto, as famílias e os amigos são também profundamente afectados, devido à angústia de verem os efeitos da doença no seu ente querido, e como resultado da sobrecarga necessária para a assistência ao doente. Enfrentar os sintomas da esquizofrenia pode ser especialmente difícil para os membros da família que se recordam de como a pessoa era activa e dinâmica antes de ficar doente. Apesar de existirem inequívocas evidências do contrário, algumas pessoas ainda acreditam que o que causa a esquizofrenia são maus pais ou fraca força de vontade. Ora, tal não é de todo o caso. A esquizofrenia é uma doença complexa, que se pensa ser devida a um número de factores actuando em conjugação. Estes factores parecem incluir influências genéticas, traumatismos (lesões) do cérebro ocorrendo na altura do nascimento ou no período envolvente, juntamente com os efeitos do isolamento social e/ou stress. Outros parâmetros podem também ser importantes, mas nenhum factor pode ser incriminado isoladamente como causa da esquizofrenia. Em vez disso, pensa-se que cada um destes factores pode aumentar o risco de que uma pessoa venha a desenvolver sintomas.

Abuso de substâncias
O abuso de substâncias é uma preocupação comum das famílias de pessoas com esquizofrenia. Uma vez que algumas pessoas, que abusam de fármacos, apresentam sintomas semelhantes aos das que sofrem de esquizofrenia, as pessoas com esta doença podem ser olhadas erradamente como pessoas que tomaram "muitas drogas". As pessoas que têm esquizofrenia muitas vezes abusam de álcool e/ou drogas e podem ter reacções particularmente negativas a certas drogas. O abuso de substâncias pode também reduzir a efectividade do tratamento para a esquizofrenia. Os estimulantes (ex. anfetaminas e cocaína) podem causar problemas graves em doentes com esquizofrenia, tal como também pode acontecer com outras drogas. Na verdade, algumas pessoas sofrem um agravamento dos sintomas da esquizofrenia quando tomam estas drogas. O abuso de substâncias também reduz a probabilidade de que os doentes seguirem o plano de tratamento recomendado pelos seus médicos.
A forma mais comum de dependência de substâncias em doentes com esquizofrenia é a dependência de nicotina devido ao hábito de fumar. A prevalência de tabagismo em doentes com esquizofrenia é cerca de três vezes superior à encontrada na população em geral. No entanto, a relação entre o tabaco e a esquizofrenia é complexa. Embora as pessoas com esquizofrenia possam fumar para "auto-medicar" os seus sintomas, o tabaco parece interferir com a resposta aos fármacos antipsicóticos, de forma que os doentes que fumam podem necessitar de doses mais elevadas de medicação antipsicótica.

Diagnóstico da esquizofrenia

A maioria das doenças psiquiátricas são muito difíceis de diagnosticar e a esquizofrenia não constitui excepção, uma vez que não existem testes que possam identificar alguém com esquizofrenia. O diagnóstico depende da exclusão de outras causas que possam originar sintomas semelhantes aos da esquizofrenia (tais como abuso de drogas, epilepsia, tumores cerebrais e disfunção tiroideia). É importante excluir outras doenças, porque algumas vezes as pessoas têm sintomas mentais graves, ou mesmo psicoses, devido a situações médicas subjacentes que não são diagnosticadas. Por este motivo, uma história clínica deve ser colhida e um exame físico e testes laboratoriais devem ser efectuados para excluir outras causas possíveis, antes de concluir que alguém sofre de esquizofrenia. Além disso, como as drogas que se consomem habitualmente podem causar sintomas semelhantes aos da esquizofrenia, devem ser pesquisadas estas substâncias em amostras de sangue ou de urina dos doentes em causa.
Após ter excluído outras causas, o médico deve então efectuar um diagnóstico, baseando-se apenas nos sintomas observados no doente e descritos pelo mesmo e pela família. Isto pode provocar problemas e atrasos no diagnóstico porque muitos sintomas podem só ser evidentes quando a doença já está avançada. Mesmo nessa altura, para que se possa estabelecer um diagnóstico formal, os sintomas devem estar presentes durante pelo menos seis meses.

" A informação médica fornecida nesta página tem apenas carácter formativo e educativo, não pretendendo nunca substituir as opiniões, conselhos e recomendações de qualquer profissional da saúde. As decisões relativas à saúde do doente devem ser tomadas pelo profissional de saúde, tendo em conta as características únicas de cada doente. NÃO TOME MEDICAMENTOS SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO POIS TAL PODE PREJUDICAR A SUA SAÚDE. As informações contidas neste site destinam-se a pessoas residentes em Portugal."





Esquizofrenia tem ligação com 'fiação' do cérebro

Falhas na rede de neurônios e suas conexões no cérebro podem ser a causa de alguns casos de esquizofrenia, diz uma equipe de cientistas da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York.




A equipe descobriu anomalidades no cérebro de crianças esquizofrênicas. Eles acreditam que essas disfunções interrompam, no cérebro, o envio de sinais que regulam o comportamento.
A pesquisa foi apresentada em um congresso da Sociedade Norte-Americana de Radiologia.
 Os pesquisadores usaram uma técnica sofisticada de escaneamento do cérebro para chegar à conclusão. A técnica é chamada de tensor da difusão de imagem (DTI, na sigla em inglês).
 Massa branca
 Os cientistas detectaram anormalidades no tecido conhecido como massa branca localizado no lóbulo central do cérebro, que controla a comunicação e as emoções.
 O principal problema encontrado foi no desenvolvimento da mielina, substância que funciona como uma espécie de capa, protegendo as células cerebrais.
 Não só a mielina protege as células como também melhora a habilidade de enviar os sinais químicos que fazem o cérebro funcionar.
 Aparentemente, os esquizofrênicos têm disfunções no desenvolvimento da mielina.
 "Ter problemas no desenvolvimento da mielina é particularmente grave na adolescência, quando a maturidade emocional ainda está ocorrendo", afirma Manzar Ashtari, líder da pesquisa.
A esquizofrenia geralmente só é diagnosticada nas pessoas jovens quando sintomas como alucinações, confusão mental, falta de motivação e estranheza no comportamento tornam-se aparentes ou persistem por um período significativo de tempo.
 Em muitos casos, o diagnóstico só ocorre quando as vítimas já são adultos.
 Os pesquisadores, no entanto, esperam que técnicas como a DTI possam identificar o problema, e tratá-lo, antes dos principais sintomas se manifestarem.
"Quanto mais cedo a pessoa for tratada, mais chances ela tem de não levar uma vida na qual a exclusão social predomine. Não se trata apenas de uma doença causada por problemas na fiação do cérebro. Temos que tratar a esquizofrenia como uma doença também associada ao comportamento e ao meio ambiente", diz Paul Corry, da agência britânica Rethink que lida com pacientes esquizofrênicos.