Diferentes Tipos de Esquizofrenia

Podemos dizer que são todos diferentes, pois existem 6 tipos diferentes de esquizofrenia.

Esquizofrenia residual:

Refere-se a uma esquizofrenia que já tem muitos anos e com muitas consequências. Neste tipo de esquizofrenia podem predominar sintomas como o isolamento social, o comportamento excêntrico, emoções pouco apropriadas e pensamentos ilógicos.

Esquizofrenia simples:

Normalmente, começa na adolescência com emoções irregulares ou pouco apropriadas, pode ser seguida de um demorado isolamento social, perda de amigos, poucas relações reais com a família e mudança de personalidade, passando de sociável a anti-social e terminando em depressão. É também pouco frequente.

Esquizofrenia Indiferenciada:

Apesar desta classificação, é importante destacar que os doentes esquizofrénicos nem sempre se encaixam perfeitamente numa certa categoria. Também existem doentes que não se podem classificar em nenhum dos grupos mencionados. A estes doentes pode-se atribuir o diagnóstico de esquizofrenia indeferenciada.

Esquizofrenia Paranóide:

Predominam sintomas positivos como alucinações e enganos, com uma relativa preservação o funcionamento cognitivo e do afectivo, o inicio tende ser mais tardio que o dos outros tipos. É o tipo mais comum e de tratamento com melhor prognóstico, particularmente com relação ao funcionamento ocupacional e à capacidade para a vida independente.

Esquizofrenia Catatónica:

Sintomas motores característicos são proeminentes, sendo os principais a actividade motora excessiva, extremo negativismo (manutenção de uma postura rígida contra tentativas de mobilização, ou resistência a toda e qualquer instrução), mutismo, cataplexia (paralisia corporal momentânea), ecolalia (repetição patológica, tipo papagaio e aparentemente sem sentido de uma palavra ou frase que outra pessoa acabou de falar) e ecopraxia (imitação repetitiva dos movimentos de outra pessoa). Necessita cuidadosa observação, pois existem riscos potenciais de desnutrição, exaustão, hiperpirexia ou ferimentos auto-infligidos. O tratamento, portanto, é bem difícil.

Esquizofrenia Desorganizada:

Discurso desorganizado e sintomas negativos como comportamento desorganizado e achatamento emocional predominam neste tipo de esquizofrenia. Os aspectos associados incluem trejeitos faciais, maneirismos e outras estranhezas do comportamento. É o tipo que tem tratamento mais complicado.
Também e de referir um outro tipo que é esquizofrenia infantil, um tipo raro de esquizofrenia (0,5% dos casos), não incluído no DSM. Ocorre bem cedo na vida do indivíduo (os primeiros problemas surgem entre os 6 e 7 anos de idade). É bastante severa, tendo sintomas e disfunções mais intensas, além de um tratamento mais difícil. Ainda não foi perfeitamente explicado o mecanismo que determina a esquizofrenia infantil. Factores ambientais não exercem qualquer influência sobre o aparecimento da doença, o que leva a acreditar que a base dela é puramente genética. Características psicológicas incluem falta de interesse, ecopraxia, ecolalia , baixo QI e outras anormalidades.

A esquizofrenia é causada por defeitos genéticos, porém os cientistas ainda não descobriram em qual cromossomo, dos 46 que o homem tem, está a imperfeição.

Cientistas desconfiam que há várias doenças mentais recebendo um mesmo nome: esquizofrenia, conceito relacionado a uma imensa dificuldade em associar idéias, apatia e perda de contato com a realidade - demência, em suma. Desde a década de 70 existe a suspeita de que o problema é hereditário, por causa da incidência maior em pessoas da mesma família. Uma equipe de pesquisadores ingleses, americanos e islandeses, ao estudar sete famílias - que, juntas, tinham 39 esquizofrênicos -, descobriu recentemente que nessas pessoas um cromossomo sempre é imperfeito.
Embora não percebessem se havia um ou mais genes defeituosos, os cientistas apontaram o cromossomo número 5 (dos 46 que o homem tem) como principal suspeito pela doença. Outra equipe americana, porém, estudou famílias suecas com grande número de esquizofrênicos e nelas o quinto cromossomo era normal.
Esses estudos, de qualquer maneira, reforçam a teoria de que diferentes defeitos genéticos poderiam causar a doença - cujos sintomas, aliás, parecem variar conforme o gene defeituoso.

AS MARCAS DA ESQUIZOFRENIA



Conviver com um doente com esquizofrenia não é tarefa fácil. Envolve perigos e medos psicológicos e até físicos. Alexandra Mota, irmã de um doente com esquizofrenia, revela situações verdadeiramente traumatizantes. "Quem vive com um esquizofrénico fica com marcas profundas para o resto da vida". Marcas que, segundo Alexandra, se escondem por detrás de muitas portas.Qual o perfil de um esquizofrénico?Um médico psiquiatra será, talvez, a pessoa mais aconselhada para traçar um perfil clínico. No entanto, da vivência que tenho, poderia dizer que um esquizofrénico é alguém que perde a capacidade de pensar de uma forma lógica e, consequentemente, de comunicar e de se relacionar, passando a viver num mundo paralelo e sem as normas pelas quais se regem as pessoas ditas normais. Entrámos no mundo da loucura.Imaginemos uma corrente composta por vários elos interligados. Esta seria a metáfora para o pensamento lógico. Num esquizofrénico, os elos da corrente soltam-se e as ideias surgem sem uma sequência causal, condicionando o comportamento e os sentimentos.Aquilo que é realidade hoje poderá deixar de ser amanhã. Objectos, palavras, números, cores... ganham significados totalmente inesperados: "Os barcos que atracam no Tejo estão a espiar-me"; "o gravador tinha escutas"; "a comida tem veneno"...Mudanças súbitas de humor, desconfiança extrema, provocação, confusão, isolamento, incompreensão... a intercalar, alguns momentos de lucidez, arrependimento, choro, desamparo total... procura desesperada de um carinho...Ainda assim, os medicamentos existentes permitem criar uma ligação artificial entre estes elos da corrente, razão pela qual um doente que aceda a fazer um tratamento efectivo e continuado poderá alterar estas características e voltar a aproximar-se do 'mundo real', tal como o conhecemos.Há episódios que tenham ocorrido consigo (e o seu irmão) que tenham envolvido algum perigo, violência...?Sim, comigo e com os restantes membros da família. O internamento hospitalar que levou ao início do tratamento do meu irmão foi feito sob escolta policial, depois de uma agressão a mim e aos meus pais.Mas não foi esta a primeira situação de violência: ameaças de violação feitas directamente a mim; a minha mãe foi queimada com o ferro de engomar; a minha avó, já com 80 anos, empurrada para o chão; uma faca apontada ao pai; as portas e armários partidos a murro, vários equipamentos eléctricos (aparelhagem, etc.) partidos... provocações constantes a vizinhos e amigos da família... ameaças...Que riscos há em viver com um doente destes (para os familiares e amigos)?Quando o doente se encontra descompensado, sem medicação, existem verdadeiros riscos físicos (de vida) e psicológicos, essencialmente, para os familiares, já que a amizade raramente resiste a uma situação de esquizofrenia grave.E se os riscos físicos são visivelmente os mais graves, os psicológicos são tremendos. O medo permanente, a sensação de impotência de não conseguir travar a doença de um filho ou de um irmão, o trauma emocional de chegar a odiar alguém que se ama... e ninguém, nenhuma instituição, a que se possa recorrer...Eu diria mesmo que quem vive com um esquizofrénico fica com marcas profundas para o resto da vida. A sensação de medo volta a cada estrondo... mesmo depois de anos. A preocupação, o nervosismo...E os riscos existem também para o próprio esquizofrénico que tende a autoflagelar-se, embora isto nunca tenha chegado a suceder com o meu irmão.Que alternativas têm os familiares que não queiram/possam viver com estes doentes? Onde os podem colocar? Qual o dispêndio aproximadamente?Existem muito poucas alternativas, especialmente se o doente não quiser ser tratado/internado. Apesar de um esquizofrénico ser considerado inimputável perante a lei, no caso de cometer um crime, é considerado responsável para decidir se quer ser internado. (Eu diria que o próprio sistema de saúde sofre de uma dose considerável de esquizofrenia.)Desde que este seja adulto, mesmo depois de diagnosticada a esquizofrenia, o doente continua a ser responsável por ele próprio perante as entidades de saúde. Uma realidade inacreditável para quem deveria saber melhor do que ninguém que quase nenhum esquizofrénico reconhece a sua doença.A opinião dos médicos, daqueles com quem falei, é a de que retirar o doente da família é cortar os últimos laços com a realidade. Compreendo perfeitamente essa perspectiva e concordo, desde que não seja generalizada a todos os casos e não seja aplicada em situações limite.No dia em que o meu irmão foi hospitalizado no Júlio de Matos seria talvez a terceira ou quarta vez que ali era levado pela polícia, depois de agressões à família. Mesmo assim, o médico deu-lhe alta e mandou-o regressar a casa.Segundo o médico, o meu irmão já estava bem e não voltaria a agredir ou a pôr em risco as vidas dos familiares. No entanto, quando lhe 'sugerimos' que escrevesse e assinasse uma declaração onde afirmaria isto mesmo e onde se responsabilizaria pelo que sucedesse no futuro, o seu discurso alterou-se radicalmente e só assim ficou internado. Um internamento de cerca de dois meses.Há várias instituições que recebem os doentes que acedem em tratar-se (desconheço preços, porque na altura a minha família não tinha possibilidades de pagar). Penso até que existem instituições não governamentais e sem fins lucrativos que apoiam alguns destes casos, mais como um apoio de tempos livres, do que propriamente como um local de tratamento.Quando é que ao seu irmão lhe foi diagnosticada a doença? Qual foi a evolução da doença? Quais são os seus comportamentos no quotidiano?A doença manifestou-se aos 21 anos e, inicialmente, pensamos tratar-se de uma depressão nervosa. Terá sido diagnosticada talvez dois anos depois. Até então, era uma pessoa reservada e algo nervosa mas perfeitamente normal, muito responsável com o seu emprego, com os seus amigos...Durante cerca de dez anos recusou o tratamento e só depois do internamento hospitalar acedeu continuar a medicação e o acompanhamento médico.Hoje, tem 36 anos, está em casa praticamente todo o dia. Não trabalha, não tem amigos, não se relaciona com praticamente ninguém a não a ser com a família, mas consegue ter conversas coerentes, gestos meigos e carinhosos, preocupações com os pais e irmãos, brincadeiras com o sobrinho.Continua a ir, uma vez por mês, ao hospital Júlio de Matos, onde toma uma injecção. A restante medicação é tomada por ele próprio, por sua iniciativa, e tem sido reduzida gradualmente, tornando-se praticamente imperceptível (não está drogado ou adormecido por comprimidos).Continuamos a tentar que crie e reforce novos laços e volte a socializar-se...Porque é que muitos doentes se recusam a ser medicados e porque é que apresentam uma força física enorme quando se vêem contrariados?A recusa dos medicamentos é própria de quem acha que não está doente e que todos os que o rodeiam só querem destruí-lo. Aquilo a que chamamos 'mania da perseguição' é uma das características da doença e por isso o doente acha que é o mundo inteiro quem lhe quer fazer mal, sejam os médicos ou os familiares.A força física é algo que não consigo explicar porque nunca consegui perceber. Talvez a canalização de toda a energia (e nós não somos senão energia) num único acto, num mesmo momento...Gostaria de acrescentar que, só no local onde vivo, um bairro como tantos outros, na cidade de Lisboa, conheço cerca de seis casos de esquizofrenia, a maioria em jovens, mas não só. Todos eles e as suas famílias viveram (alguns continuam a viver) situações dramáticas que duram décadas e décadas.Há um caso de um doente, que deve ter hoje mais de 40 anos, que está fechado num quarto há cerca de 20 anos. Ninguém, nem a própria mãe, se pode aproximar dele. Não se lava, não se veste... A comida é colocada à porta...E estamos a falar de um ser humano que vive num país que se diz desenvolvido e globalizado, mas que ignora totalmente o que se passa atrás de cada porta, especialmente quando o problema se relaciona com a saúde mental.






Trabalho realizado por:
Escola Secundária da Baixa da Banheira
Revisto por Astrid Moura Vicente, investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência


Medicamentos para a esquizofrenia ...

  Os medicamentos e outros tratamentos para a esquizofrenia, quando usados regularmente e de acordo com a prescrição, podem ajudar a reduzir e a controlar os sintomas incapacitantes da doença. No entanto, algumas pessoas não conseguem obter ajuda considerável a partir dos tratamentos disponíveis pois interrompem prematuramente o tratamento devido aos efeitos secundários desagradáveis ou por outras razões. Mesmo quando o tratamento é eficaz, as consequências persistentes da doença (tais como perda de oportunidades, estigmas, sintomas residuais e efeitos secundários da medicação) podem ser muito difíceis e limitantes para os doentes, impedindo-os de terem uma vida normal.


A história dos medicamentos para a esquizofrenia

Os primeiros medicamentos eficazes para o tratamento da esquizofrenia foram desenvolvidos no meio da década de 50. Existe uma série de medicamentos antipsicóticos diferentes, ditos "convencionais". Estes medicamentos parecem actuar sobretudo através da redução dos efeitos do neurotransmissor dopamina no cérebro. A sua principal eficácia consiste no tratamento dos sintomas positivos, o que permite a muitos doentes permanecerem fora do hospital e de desempenharem bem as suas funções na comunidade. No entanto, não parecem ser muito eficazes nos sintomas negativos da esquizofrenia nem nos sintomas relacionados com o humor (sintomas afectivos). Além disso, alguns doentes podem responder de forma deficiente ou mesmo não responder a estes medicamentos. Os neurolépticos convencionais apresentam também uma série de efeitos adversos desagradáveis e os doentes podem ter a necessidade de tomar outros medicamentos para os controlarem. Os efeitos secundários podem contribuir para que os doentes não tomem os seus medicamentos (ausência de adesão - "nem compliance"), o que pode levar ao reaparecimento dos sintomas da esquizofrenia (recidivas).
Na última década, surgiram diversos medicamentos eficazes para a esquizofrenia com frequência e gravidade de efeitos secundários do que com os medicamentos mais antigos.

Novos medicamentos para a esquizofrenia
Os novos antipsicóticos parecem bloquear quer os efeitos da serotonina quer da dopamina e como consequência parecem ter efeitos numa gama mais alargada de sintomas. São eficazes no tratamento da psicose, incluindo alucinações e delírios, e podem ser úteis no tratamento dos sintomas negativos da doença, tais como falta de motivação ou expressão emocional embotada.
A grande maioria das pessoas com esquizofrenia mostram melhoria substancial quando tratadas com medicamentos antipsicóticos. No entanto, alguns doentes não obtêm ajuda com os medicamentos disponíveis e alguns não parecem necessitar deles. É difícil prever quais os doentes que se enquadram em cada um destes dois grupos e distingui-los da grande maioria dos doentes que beneficiam do tratamento com os medicamentos antipsicóticos.
Os doentes e as suas famílias ficam muitas vezes preocupados com os medicamentos antipsicóticos utilizados para tratar a esquizofrenia. Além das preocupações relativas aos efeitos secundários, preocupam-se com o facto destes medicamentos poderem levar a habituação. No entanto, os fármacos antipsicóticos não produzem um humor "elevado" (euforia) ou dependência (vício) nas pessoas que os tomam. Uma outra ideia errada relativa aos medicamentos antipsicóticos consiste em considerar que estes actuam como uma espécie de controladores da mente ou um "colete de forças químico". Se usados nas doses apropriadas, os fármacos antipsicóticos não põem as pessoas "fora de combate" nem lhes retiram a sua livre decisão. Embora estes fármacos possam ser sedativos e este efeito possa ser útil em circunstâncias especiais (tal como no início do tratamento, especialmente se o indivíduo estiver muito agitado), a utilidade destes fármacos não se deve à sedação mas sim à sua capacidade de reduzir as alucinações, a agitação, confusão e delírios associados a um episódio psicótico. Desta forma, os medicamentos antipsicóticos acabam por ajudar os indivíduos com esquizofrenia a lidar duma forma mais racional com o mundo.
Os antipsicóticos reduzem o risco de episódios psicóticos futuros em doentes que recuperaram dum episódio agudo. Mesmo com o tratamento continuado, muitas pessoas que recuperaram irão sofrer recaídas. No entanto, verificam-se, de longe, muito mais recaídas quando o tratamento é interrompido. Na maioria dos casos, não será correcto dizer que o tratamento continuado "evita" o aparecimento de recidivas, mas sem dúvida que reduz a sua intensidade e frequência. O tratamento dos sintomas psicóticos graves exige geralmente doses mais elevadas do que as utilizadas para o tratamento de manutenção. Se os sintomas reaparecem com uma dose mais baixa, um aumento temporário pode prevenir o aparecimento duma recaída completa.
Uma vez que as recidivas são mais prováveis quando os medicamentos antipsicóticos são interrompidos ou tomados de forma irregular, é muito importante que as pessoas com esquizofrenia colaborem com os seus médicos e famílias de forma a manterem-se fiéis ao seu esquema de tratamento. Isto envolve tomar o medicamento apropriado na dose correcta e nas alturas certas do dia, ir às consultas médicas e seguir de forma escrupulosa todos os outros procedimentos relacionados com o tratamento. Embora isto seja muitas vezes difícil para as pessoas com esquizofrenia, tal fardo pode tornar-se mais leve com a ajuda de várias estratégias e consequentemente pode conseguir-se uma melhoria da qualidade de vida.

Efeitos secundários
Os antipsicóticos, tais como quase todos os medicamentos, têm efeitos indesejáveis para além dos seus efeitos benéficos. Durante a fase inicial do tratamento, os doentes podem ser afectados por efeitos secundários tais como sonolência, agitação, espasmos musculares, tremor, secura de boca, ou visão turva. A maioria deles pode ser corrigida com a diminuição da dose ou podem ser controlados com outros medicamentos. A resposta ao tratamento com antipsicóticos e os efeitos secundários associados variam de doente para doente. Determinados doentes podem responder melhor a um fármaco que a outro.
Os efeitos dos antipsicóticos, a longo-prazo, podem colocar um problema consideravelmente mais grave. A discinesia tardia (DT) é uma situação que se caracteriza por movimentos involuntários, na maioria das vezes afectando mais frequentemente a boca, lábios e língua e algumas vezes o tronco ou outras partes do corpo tais como os braços e as pernas. Ocorre em cerca de 15 a 20% dos doentes que receberam os antipsicóticos mais antigos durante muitos anos, mas a discinesia tardia também pode surgir em doentes sob tratamento com estes fármacos durante períodos mais curtos de tempo. Na maioria dos casos, os sintomas da discinesia tardia são ligeiros e o doente pode nem ter consciência destes movimentos, mas em alguns casos podem ser muito incapacitantes e graves.
Os novos antipsicóticos parecem ter um risco muito menor de produzir DT que os outros fármacos mais antigos. No entanto, o risco não é nulo e podem também produzir outros efeitos secundários tais como aumento de peso. Além disso, se administrados em doses demasiado elevadas, os antipsicóticos mais recentes podem provocar problemas tais como retirada social e sintomas semelhantes aos da doença de Parkinson, que afecta o controlo dos movimentos. Embora os medicamentos mais recentes sejam geralmente melhor tolerados que os convencionais, o perfil de efeitos adversos dos agentes atípicos varia e estas diferenças podem afectar a adesão do doente ao esquema de tratamento. Assim, podem surgir efeitos secundários tais como boca seca, visão turva, obstipação e confusão. Os neurolépticos atípicos também se associam com sedação, sonolência, estimulação do apetite e ganho de peso, juntamente com alterações da pressão arterial (PA), do ritmo cardíaco e vertigens.
No entanto, os novos antipsicóticos constituem um avanço muito importante no tratamento destes doentes, e a optimização do seu uso em doentes com esquizofrenia é um tema actualmente objecto de investigação aprofundada.

O impacto da esquizofrenia
A maioria das pessoas com esquizofrenia sofrem ao longo das suas vidas, perdendo desta forma oportunidades de carreira e de relacionamento. Como consequência da falta de compreensão pública existente relativamente à doença as pessoas com esquizofrenia, muitas vezes, sentem-se isoladas e estigmatizadas e podem ter relutância ou incapacidade em falar sobre a sua doença. Embora a disponibilidade de novos medicamentos com menos efeitos secundários tenha melhorado a vida de muita gente, mesmo actualmente, apenas numa pessoa em cada cinco das afectadas pode falar em "recuperação" da doença e uma, em cada dez pessoas com esquizofrenia, cometem suicídio.
De todas as doenças mentais, a esquizofrenia é provavelmente a que apresenta mais dificuldades para todos os envolvidos. Os doentes sofrem, sem qualquer dúvida, uma enorme perturbação das suas vidas. No entanto, as famílias e os amigos são também profundamente afectados, devido à angústia de verem os efeitos da doença no seu ente querido, e como resultado da sobrecarga necessária para a assistência ao doente. Enfrentar os sintomas da esquizofrenia pode ser especialmente difícil para os membros da família que se recordam de como a pessoa era activa e dinâmica antes de ficar doente. Apesar de existirem inequívocas evidências do contrário, algumas pessoas ainda acreditam que o que causa a esquizofrenia são maus pais ou fraca força de vontade. Ora, tal não é de todo o caso. A esquizofrenia é uma doença complexa, que se pensa ser devida a um número de factores actuando em conjugação. Estes factores parecem incluir influências genéticas, traumatismos (lesões) do cérebro ocorrendo na altura do nascimento ou no período envolvente, juntamente com os efeitos do isolamento social e/ou stress. Outros parâmetros podem também ser importantes, mas nenhum factor pode ser incriminado isoladamente como causa da esquizofrenia. Em vez disso, pensa-se que cada um destes factores pode aumentar o risco de que uma pessoa venha a desenvolver sintomas.

Abuso de substâncias
O abuso de substâncias é uma preocupação comum das famílias de pessoas com esquizofrenia. Uma vez que algumas pessoas, que abusam de fármacos, apresentam sintomas semelhantes aos das que sofrem de esquizofrenia, as pessoas com esta doença podem ser olhadas erradamente como pessoas que tomaram "muitas drogas". As pessoas que têm esquizofrenia muitas vezes abusam de álcool e/ou drogas e podem ter reacções particularmente negativas a certas drogas. O abuso de substâncias pode também reduzir a efectividade do tratamento para a esquizofrenia. Os estimulantes (ex. anfetaminas e cocaína) podem causar problemas graves em doentes com esquizofrenia, tal como também pode acontecer com outras drogas. Na verdade, algumas pessoas sofrem um agravamento dos sintomas da esquizofrenia quando tomam estas drogas. O abuso de substâncias também reduz a probabilidade de que os doentes seguirem o plano de tratamento recomendado pelos seus médicos.
A forma mais comum de dependência de substâncias em doentes com esquizofrenia é a dependência de nicotina devido ao hábito de fumar. A prevalência de tabagismo em doentes com esquizofrenia é cerca de três vezes superior à encontrada na população em geral. No entanto, a relação entre o tabaco e a esquizofrenia é complexa. Embora as pessoas com esquizofrenia possam fumar para "auto-medicar" os seus sintomas, o tabaco parece interferir com a resposta aos fármacos antipsicóticos, de forma que os doentes que fumam podem necessitar de doses mais elevadas de medicação antipsicótica.

Diagnóstico da esquizofrenia

A maioria das doenças psiquiátricas são muito difíceis de diagnosticar e a esquizofrenia não constitui excepção, uma vez que não existem testes que possam identificar alguém com esquizofrenia. O diagnóstico depende da exclusão de outras causas que possam originar sintomas semelhantes aos da esquizofrenia (tais como abuso de drogas, epilepsia, tumores cerebrais e disfunção tiroideia). É importante excluir outras doenças, porque algumas vezes as pessoas têm sintomas mentais graves, ou mesmo psicoses, devido a situações médicas subjacentes que não são diagnosticadas. Por este motivo, uma história clínica deve ser colhida e um exame físico e testes laboratoriais devem ser efectuados para excluir outras causas possíveis, antes de concluir que alguém sofre de esquizofrenia. Além disso, como as drogas que se consomem habitualmente podem causar sintomas semelhantes aos da esquizofrenia, devem ser pesquisadas estas substâncias em amostras de sangue ou de urina dos doentes em causa.
Após ter excluído outras causas, o médico deve então efectuar um diagnóstico, baseando-se apenas nos sintomas observados no doente e descritos pelo mesmo e pela família. Isto pode provocar problemas e atrasos no diagnóstico porque muitos sintomas podem só ser evidentes quando a doença já está avançada. Mesmo nessa altura, para que se possa estabelecer um diagnóstico formal, os sintomas devem estar presentes durante pelo menos seis meses.

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Esquizofrenia tem ligação com 'fiação' do cérebro

Falhas na rede de neurônios e suas conexões no cérebro podem ser a causa de alguns casos de esquizofrenia, diz uma equipe de cientistas da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York.




A equipe descobriu anomalidades no cérebro de crianças esquizofrênicas. Eles acreditam que essas disfunções interrompam, no cérebro, o envio de sinais que regulam o comportamento.
A pesquisa foi apresentada em um congresso da Sociedade Norte-Americana de Radiologia.
 Os pesquisadores usaram uma técnica sofisticada de escaneamento do cérebro para chegar à conclusão. A técnica é chamada de tensor da difusão de imagem (DTI, na sigla em inglês).
 Massa branca
 Os cientistas detectaram anormalidades no tecido conhecido como massa branca localizado no lóbulo central do cérebro, que controla a comunicação e as emoções.
 O principal problema encontrado foi no desenvolvimento da mielina, substância que funciona como uma espécie de capa, protegendo as células cerebrais.
 Não só a mielina protege as células como também melhora a habilidade de enviar os sinais químicos que fazem o cérebro funcionar.
 Aparentemente, os esquizofrênicos têm disfunções no desenvolvimento da mielina.
 "Ter problemas no desenvolvimento da mielina é particularmente grave na adolescência, quando a maturidade emocional ainda está ocorrendo", afirma Manzar Ashtari, líder da pesquisa.
A esquizofrenia geralmente só é diagnosticada nas pessoas jovens quando sintomas como alucinações, confusão mental, falta de motivação e estranheza no comportamento tornam-se aparentes ou persistem por um período significativo de tempo.
 Em muitos casos, o diagnóstico só ocorre quando as vítimas já são adultos.
 Os pesquisadores, no entanto, esperam que técnicas como a DTI possam identificar o problema, e tratá-lo, antes dos principais sintomas se manifestarem.
"Quanto mais cedo a pessoa for tratada, mais chances ela tem de não levar uma vida na qual a exclusão social predomine. Não se trata apenas de uma doença causada por problemas na fiação do cérebro. Temos que tratar a esquizofrenia como uma doença também associada ao comportamento e ao meio ambiente", diz Paul Corry, da agência britânica Rethink que lida com pacientes esquizofrênicos.

Transtornos Mentais ( Esquizofrenia)



Existem, diversos tipos de transtornos mentais, e estes podem ocorrer tanto em crianças como em idosos. Dentre tantos transtornos mentais, evidenciarei um, a Esquizofrenia. Porque ocorre, se existem possíveis causas e curas ? São algumas das questões que desejo discorrer neste trabalho.
A palavra transtorno de acordo com o Minidicionário Luft significa; ação ou efeito de transtornar, desarranjo, contratempo e perturbação. E a palavra esquizofrenia; psicose caracterizada pela falta de conexão entre pensamentos, sentimentos e atitudes; demência precoce. E de acordo com o CID-10 é a existência de vários sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecível associado a sofrimento e interferência com funções pessoais.
A esquizofrenia é um transtorno psíquico severo que se caracteriza normalmente por alguns sintomas, tais como: alterações do pensamento, alucinações (visuais, cinestésicas, e sobretudo auditivas), transtornos de pensamento e fala, perturbação das emoções e do afeto, déficits cognitivos, avolição, delírios e alterações no contato com a realidade.
Alucinações e delírios são frequentemente observados em algum momento durante o curso da esquizofrenia. As alucinações visuais ocorrem em 15%, as auditivas em 50% e as táteis em 5%, e os delírios em mais de 90% (Pull, 2005).
Atualmente, a esquizofrenia não é encarada como uma doença, mas sim como um tipo de transtorno que não escolhe credo nem raça, dessa forma, ela não tem preconceito algum e pode ocorrer em qualquer indivíduo independentemente até mesmo, da sua classe social.
Este tipo de transtorno de acordo com estatísticas atinge 1% da população mundial, costuma se manifestar nas pessoas entre os 15 e 25 anos. Como dito anteriormente, este não escolhe suas vitimas e dentre os acometidos pelo transtorno pode se dizer que, praticamente 50% são mulheres e os outros 50% obviamente são homens.
A Escola de Medicina da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, depois de um estudo feito em trinta pacientes usando o método da ressonância magnética, constatou que a esquizofrenia é uma doença ligada à diminuição de uma parte do cérebro chamada lóbulo temporal esquerdo, que regula o senso auditivo e o desenvolvimento da linguagem.
Segundo os pesquisadores, que publicaram seus resultados no renomado New England Journal of Medicine, o lóbulo de um esquizofrênico é em média 20% menor que o de um indivíduo saudável. "O que não se pode afirmar ainda é se a anomalia é congênita ou aparece na fase de desenvolvimento do cérebro que vai até os 25 anos", diz o psiquiatra Jean Luc Martino, do Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica, na França.
Ainda de acordo com os pesquisadores americanos, o tamanho do lóbulo temporal esquerdo é inversamente proporcional à intensidade dos sintomas: quanto menor o lóbulo, maior a incidência de problemas como alucinações ou perturbações do raciocínio.
O termo esquizofrenia foi descrita e definida em 1911 pelo psiquiatra suíço Eugene Bleuler (1857-1939), mas acredita-se que foi Emil Kraepelin (1856-1926) iniciou os estudos sobre o transtorno que na época era conhecido por demência precoce.
Estudos realizados entre portadores desse transtorno, mostram que a esquizofrenia pode ser um fator genético, ou seja, se há incidência de esquizofrenia na família, há grandes possibilidades de outros indivíduos desta mesma prole ser acometido pelo transtorno. Sendo que o risco é maior em indivíduos que possuem parentescos em 1º grau com o transtorno, e vai diminuindo a chance de sofrer desse mal de acordo com que o grau de parentesco vai aumentando.
Outra característica da esquizofrenia, é que depois dos primeiros sintomas o sujeito pode demorar meses ou até mesmo anos para que o transtorno se manifeste definitivamente, enquanto que em outras pessoas, podem ocorrer em apenas alguns dias ou semanas. E quando ele se manifesta certamente será percebido por todos. Os primeiros a descobrirem normalmente são os próprios familiares. Quase sempre, os primeiros sintomas são a diminuição da concentração, o que afeta diretamente nos estudos, insônia, isolamento, e com isso pessoas próximas derredor percebem que alguma coisa não está normal com o sujeito .
No início a família quase sempre suspeita que seja o uso de drogas, motivados pelas alterações no modo de vida do sujeito; a falta de atenção, de concentração, a mudança de temperamento, o abandono dos estudos a perca do trabalho e outros. A família cobra o indivíduo não entende o porquê da cobrança. O que também é comum nesse tipo de transtornos, é o indivíduo fazer tatuagens e não se preocupar com a higiene pessoal.
Estes sintomas como dito anteriormente, quase sempre são encarados de maneira errônea pelos familiares, por esse motivo estes, também necessitam de atendimento psicológico e outros, para aprenderem a conviver de maneira saudável com o paciente, e não privá-lo de viver a vida em sociedade, pois a exclusão certamente não é o melhor caminho para nenhum tipo de transtorno, pelo contrário, sempre surti efeito oposto e contribui de forma negativa. É importante lembrar que não apenas no caso dos esquizofrênicos, mas também os portadores de várias outras anomalias, a família é fator chave no processo terapêutico.
Enquanto o pensamento e as atitudes dos familiares não mudam o sujeito continua a falar coisas sem sentido, tendo alucinações, senti que esta sendo perseguido, insultado, enganado ou sofrendo conspiração e outros. Por causas dos vários sintomas, no inicio familiares tentar esconder o problema temendo a descriminação da sociedade, mas acredita-se que o melhor a se fazer apesar da dor e da angustia, é mudar tais pensamentos preconceituosos e encarar de frente o problema. Este tipo de comportamento pode ser mais saudável tanto para a família como para o sujeito esquizofrênico.
Normalmente quando a família se da por conta, de que se trata de uma anomalia genética ou um problema mental, esta começa a se culpar, pelo fato de não ter feito algo antes que pudesse ter evitado tal transtorno; sem saber que nada poderia ser feito, pois o tratamento precoce ainda não pode prevenir a esquizofrenia, e mais os medicamentos deverão ser utilizados por toda vida. Vale ressaltar que antigamente pacientes esquizofrênicos viviam em sanatórios amarrados e às vezes eram até torturados, mas atualmente, já não pode mais considerar tais atitudes como normais.
Desde 1948, quando surgiu o primeiro medicamento (clorpromazina), algumas pessoas que sofrem deste distúrbio e fazem tratamento constante com medicamentos aliados a várias terapias e outras atividades como; música, teatro e pintura e outros.Conseguem ter uma vida relativamente normal. Há casos, que com o tempo, os sintomassimplesmente desapareceram, e acerca destes tipos de acontecimento, acredita-se não estarem ligados a nenhum tipo de uso de medicação, mas talvez motivados pelo ambiente social e ou metabólico do sujeito.
Os transtornos mentais deveriam ser investigados interdisciplinarmente, ou seja, precisa envolver várias áreas do conhecimento, tais como; a psicologia, a filosofia, a psiquiatria e a neurologia e outros. Atualmente, os diagnósticos não são feitos assim.
Normalmente o médico possui um ponto de partida para diagnosticar; por meio de alguns sintomas ele detecta o transtorno, no entanto, este tipo de diagnóstico feito pelo olhar de um só médico pode não ser sempre confiável pois outros distúrbios cerebrais também possuem alguns dos sintomas, então, ainda é caso de muita discussão entre tantos outros profissionais que trabalham e pesquisam sobre a psique humana. Pelo fato de ser complexo o diagnóstico e possuir uma analise ampla de estudo, o melhor caminho parece ser o uso da interdisciplinaridade para uma melhor definição do diagnóstico, no entanto, o diagnóstico interdisciplinar normalmente não ocorre com frequência.
Quando é diagnosticado o transtorno como esquizofrenia, dependendo do grau dos comportamentos do individuo, este precisa ser conduzido para uma clínica especializada. Este ambiente deve ser um lugar apropriado e os paciente precisam ser tratados com dignidade e não como uma dificuldade, um peso ou incomodo. Nesse sentido, necessário se faz serem tratados com uma equipe multidisciplinar de saúde, o que não é fácil encontrar, e diga-se de passagem, quando se encontra tais locais, o custo não é barato. Dessa forma, sabemos que esse tipo de regalia ainda não está acessível para todas as classes sociais.
Existem esquizofrênicos que trabalham diariamente, possuem um grau de alterações pequeno e utilizarem medicação. Por outro lado, a grande maioria necessita de ajuda da família ou de programas governamentais para sobreviverem.
Acredita-se, que 20% dos portadores de esquizofrenia poderiam trabalhar pelo menos por meio período, e o trabalho poderia contribuir como auxilio para a pessoa na luta contra os sintomas do transtorno.
Outra opção que pode ser usada como coadjuvante na luta contra tais sintomas, é o uso de animais de estimação especialmente o cachorro, tem sido empregado nesses casos e surtido efeitos benéficos, apesar das pessoas esquizofrênicas terem dificuldades em manter relações de amizades com humanos, parece ser diferente com este tipo de animal.
Existe uma estimativa que, de 20 a 30% dos pacientes podem deixar de apresentar as crises e levar uma vida totalmente normal. Por outro lado, a maioria apresentam novas crises e conviverão com estas pelo resto da vida, mas podendo de certa forma levarem a vida normal com ajuda de terapias e medicamentos. E ainda existe outros 15% que permanecerão severamente incapacitados pela enfermidade devido o estado psicótico grave.Walker E. et al. 2004).
A porcentagem de depressão entre os esquizofrênicos é de pelo menos 25% e pode aparecer em qualquer fase depois do diagnóstico. Outra incidência que se percebe entre os esquizofrênicos é que grande parte são fumantes.
A consequência no ponto de vista econômico é impressionante, só os Estados Unidos gastam cerca de 19 bilhões de dólares por ano com os esquizofrênicos. Quando considerados outros gastos com médicos e assistência para as famílias estima-se que o gasto chegua à casa dos 46 bilhões de dólares (WHO 1998).
A taxa de mortalidade entre os esquizofrênicos também são maiores quando comparada com a população dita “normal”. A maior causa é o suicídio que ocorre 12 vezes mais em sujeitos esquizofrênicos. Nos últimos anos tem aumentado os casos de morte por doenças cardiovasculares, acredita-se ocasionados especialmente pelo uso de drogas e pelo estilo de vida pouco saudável e o tabaco (APA 2004).
Apesar de o fator genético ser uma das principais causas da esquizofrenia, outras possíveis causas parecem estar ligadas; problemas no desenvolvimento fetal, complicações no parto, o declínio do QI na infância e outros. Estudos relatam ainda que 8% de pessoas que nascem no inverno podem sofrer de esquizofrenia.
Outra curiosidade da esquizofrenia, é que entre os homens normalmente ela ocorre entre as idades de 15 a 25 anos, e entre as mulheres nas idades entre 25 e 35 anos. No Brasil acredita-se que exista cerca 1,6 milhões de esquizofrênicos.
Finalizando, acredita-se que a eficácia do tratamento da esquizofrenia nem sempre está relacionado na adesão aos tratamentos medicamentosos. Supõe-se que o remédio mais eficaz não apenas para esse caso, é a compreensão, a busca por compreender melhoro transtorno, a afetividade e o amor, principalmente por parte da família.
“ E interessante que os pacientes que foram tratados em casa, que não receberam medicamentos neuropléticos... Pensou-se que estes teriam resultados ruins, no entanto obtiveram resultados melhores em comparação aos pacientes tratados nos hospitais tratados sob controle e com uso de drogas”. Dr. Loren Mosher, ex chefe dos estudos esquizofrênicos do Instituto Nacional da Saúde Mental dos Estados Unidos, 2002.


REFERÊNCIAS

American Psychiatric Association. Practice Guideline for the treatment of patients with schizophrenia, 2nd ed. Washington, DC: American Psychiatric Association 2004.
Equizofrenia “La Enfermidad” por lucro de la Psiquiatría.
Luft, celso Pedro, 1921 – Minidicionário Luft / colaboradores Francisco de Assis Barbosa, Manuel da Cunha Pereira – São Paulo; Ática, 2000.
Walker E., Kestler L., Bollini A. and Hochman K.M. Schizophrenia: Etiology and course. Annu. Rev. Psicol. 2004; 55: 401-30.
World Health Organization. Schizophrenia and public health. 1998.
1998.

Como Reconhecer o Começo?
A Família do Esquizofrênico
Sinais de Boa Recuperação
Conselho aos Pais
Uso das Medicações
O que é?
Apesar da exata origem não estar concluída, as evidências indicam mais e mais fortemente que a esquizofrenia é um severo transtorno do funcionamento cerebral. A Dra Nancy Andreasen disse: "As atuais evidências relativas às causas da esquizofrenia são um mosaico: a única coisa clara é a constituição multifatorial da esquizofrenia. Isso inclui mudanças na química cerebral, fatores genéticos e mesmo alterações estruturais. A origem viral e traumas encefálicos não estão descartados. A esquizofrenia é provavelmente um grupo de doenças relacionadas, algumas causadas por um fator, outras, por outros fatores". 
A questão sobre a existência de várias esquizofrenias e não apenas uma única doença não é um assunto novo. Primeiro, pela diversidade de manifestações como os sub-tipos paranóide, hebefrênico e catatônico além das formas atípicas, que são conhecidas há décadas. Segundo, por analogia com outras áreas médicas como o câncer. O câncer para o leigo é uma doença que pode atingir diferentes órgãos. Na verdade trata-se de várias doenças com manifestação semelhante. Para cada tipo de câncer há uma causa distinta, um tratamento específico em chances de cura distintas. São, portanto, várias doenças. Na esquizofrenia talvez seja o mesmo e o simples fato de tratá-la como uma doença só que atrapalha sua compreensão. Poucos sabemos sobre essa doença. O máximo que conseguimos foi obter controle dos sintomas com os antipsicóticos. Nem sua classificação, que é um dos aspectos fundamentais da pesquisa, foi devidamente concluída. Revisão

Como Começa?
A esquizofrenia pode desenvolver-se gradualmente, tão lentamente que nem o paciente nem as pessoas próximas percebem que algo vai errado: só quando comportamentos abertamente desviantes se manifestam. O período entre a normalidade e a doença deflagrada pode levar meses. 
Por outro lado há pacientes que desenvolvem esquizofrenia rapidamente, em questão de poucas semanas ou mesmo de dias. A pessoa muda seu comportamento e entra no mundo esquizofrênico, o que geralmente alarma e assusta muito os parentes. 
Não há uma regra fixa quanto ao modo de início: tanto pode começar repentinamente e eclodir numa crise exuberante, como começar lentamente sem apresentar mudanças extraordinárias, e somente depois de anos surgir uma crise característica.
Geralmente a esquizofrenia começa durante a adolescência ou quando adulto jovem. Os sintomas aparecem gradualmente ao longo de meses e a família e os amigos que mantêm contato freqüente podem não notar nada. É mais comum que uma pessoa com contato espaçado por meses perceba melhor a esquizofrenia desenvolvendo-se. Geralmente os primeiros sintomas são a dificuldade de concentração, prejudicando o rendimento nos estudos; estados de tensão de origem desconhecida mesmo pela própria pessoa e insônia e desinteresse pelas atividades sociais com conseqüente isolamento. A partir de certo momento, mesmo antes da esquizofrenia ter deflagrado, as pessoas próximas se dão conta de que algo errado está acontecendo. Nos dias de hoje os pais pensarão que se trata de drogas, os amigos podem achar que são dúvidas quanto à sexualidade, outros julgarão ser dúvidas existenciais próprias da idade. Psicoterapia contra a vontade do próprio será indicada e muitas vezes realizada sem nenhum melhora para o paciente. A permanência da dificuldade de concentração levará à interrupção dos estudos e perda do trabalho. Aqueles que não sabem o que está acontecendo, começam a cobrar e até hostilizar o paciente que por sua vez não entende o que está se passando, sofrendo pela doença incipiente e pelas injustiças impostas pela família. É comum nessas fases o desleixo com a aparência ou mudanças no visual em relação ao modo de ser, como a realização de tatuagens, piercing, cortes de cabelo, indumentárias estranhas e descuido com a higiene pessoal. Desde o surgimento dos hippies e dos punks essas formas estranhas de se apresentar, deixaram de ser tão estranhas, passando mesmo a se confundirem com elas. O que contribui ainda mais para o falso julgamento de que o filho é apenas um "rebelde" ou um "desviante social".
Muitas vezes não há uma fronteira clara entre a fase inicial com comportamento anormal e a esquizofrenia propriamente dita. A família pode considerar o comportamento como tendo passado dos limites, mas os mecanismos de defesa dos pais os impede muitas vezes de verem que o que está acontecendo; não é culpa ou escolha do filho, é uma doença mental, fato muito mais grave.
A fase inicial pode durar meses enquanto a família espera por uma recuperação do comportamento. Enquanto o tempo passa os sintomas se aprofundam, o paciente apresenta uma conversa estranha, irreal, passa a ter experiências diferentes e não usuais o que leva as pessoas próximas a julgarem ainda mais que o paciente está fazendo uso de drogas ilícitas. É possível que o paciente já esteja tendo sintomas psicóticos durante algum tempo antes de ser levado a um médico.
Quando um fato grave acontece não há mais meios de se negar que algo muito errado está acontecendo, seja por uma atitude fisicamente agressiva, seja por tentativa de suicídio, seja por manifestar seus sintomas claramente ao afirmar que é Jesus Cristo ou que está recebendo mensagens do além e falando com os mortos. Nesse ponto a psicose está clara, o diagnóstico de psicose é inevitável. Nessa fase os pais deixam de sentir raiva do filho e passam a se culpar, achando que se tivessem agido antes nada disso estaria acontecendo, o que não é verdade. Infelizmente o tratamento precoce não previne a esquizofrenia, que é uma doença inexorável. As medicações controlam parcialmente os sintomas: não normalizam o paciente. Quando isso acontece é por remissão espontânea da doença e por nenhum outro motivo.

O Diagnóstico
Não há um exame que diagnostique precisamente a esquizofrenia, isto depende exclusivamente dos conhecimentos e da experiência do médico, portanto é comum ver conflitos de diagnóstico. O diagnóstico é feito pelo conjunto de sintomas que o paciente apresenta e a história como esses sintomas foram surgindo e se desenvolvendo. Existem critérios estabelecidos para que o médico tenha um ponto de partida, uma base onde se sustentar, mas a maneira como o médico encara os sintomas é pessoal. Um médico pode considerar que uma insônia apresentada não tenha maior importância na composição do quadro; já outro médico pode considerá-la fundamental. Assim os quadros não muito definidos ou atípicos podem gerar conflitos de diagnóstico.

O Curso 
Que a esquizofrenia é doença grave ninguém duvida, pois afeta as emoções, o pensamento, as percepções e o comportamento. Mas o que dizer de uma gravidade que pode não deixar seqüelas nem ameaçar a vida da pessoa, mas pelo contrário permite o restabelecimento da normalidade? A gravidade então não está tanto no diagnóstico: está mais no curso da doença.
Classicamente a distinção que Kraepelin fez entre esquizofrenia (demência precoce) e o transtorno bipolar (psicose cíclica) foi a possibilidade de recuperação dos cicladores, enquanto os esquizofrênicos se deterioravam e não se recuperavam. Talvez a partir daí criou-se uma tendência a considerar-se a esquizofrenia irrecuperável. Não resta a menor dúvida de que muitos casos não se recuperam, mas há exceções e quando eles surgem toda a regra passa a ser duvidosa, pois se perdem os limites sobre os quais se operava com segurança. Há dois motivos básicos que justificam a falta de segurança sobre o curso da esquizofrenia:
1- Falta de critérios uniformes nas pesquisas passadas sobre o assunto.
2- Dificuldade de se acompanhar ao longo de vários anos um grupo grande de pacientes.
Faz apenas um pouco mais de 10 anos que se editou pela Organização Mundial de Saúde, critérios objetivos e claros para a realização do diagnóstico da esquizofrenia. Na versão anterior, o CID 9, os critérios eram "frouxos" permitindo diferenças consideráveis nos parâmetros adotados entre os estudos; assim as disparidades de resultados entre eles era inaceitável terminando com a indefinição a respeito do curso da esquizofrenia. Algumas psicoses são naturalmente transitórias e únicas na vida de uma pessoa. Se por engano essas são consideradas como esquizofrênicas gera-se conflito ao se comparar com estudos cujos critérios exigiam um período mínimo de meses na duração da psicose. Mesmo que durem muitos anos as psicoses não podem ser confundidas com a personalidade esquizóides. Assim, devido à falta de rigor na realização dos diagnósticos não podemos ter segurança nos estudos anteriores ao CID 10 ou ao DSM-III (para os estudos que se basearam nos critérios americanos); portanto as conclusões desses estudos não podem determinar nossa conduta atual. Apesar do CID 10 ter criado uma técnica comprovadamente mais confiável e precisa de se diagnosticar a esquizofrenia o problema não está resolvido. Somente com o tempo e com mais pesquisas saberemos se os critérios hoje adotados estão corretos, se correspondem à realidade. Caso no futuro se constate que ainda são insuficientes, as pesquisas feitas com os critérios do CID 10 também serão desacreditadas. As pesquisas precisam dizer se o que estamos diagnosticando é uma doença com vários cursos naturais ou se são na verdade várias doenças cada qual com seu curso próprio. Perante essas dificuldades entendemos por que são tão almejadas técnicas biológicas, como as de imagem da tomografia por emissão de pósitrons, para se estudar as esquizofrenias.
Dentre vários estudos publicados na última década sobre o curso da esquizofrenia, selecionamos um para ilustrar a diversidade de resultados e dificuldade de avaliação. Quanto mais difíceis de análise um estudo, mais sujeito à falhas e conclusões erradas ele está.
Nesse trabalho foram selecionadas seis pessoas que tinham preenchido, dez anos antes, critérios para esquizofrenia, sendo que todos alcançaram remissão completa do quadro. Com esse tipo de estudo torna-se possível verificar se a remissão detectada na época seria permanente ou uma fase de melhoria antes da cronicidade permanente. Como resultado, mesmo num grupo tão pequeno, constatou-se vários cursos distintos. Três permaneciam em remissão completa, um seguia um curso deteriorante contínuo e dois apresentavam flutuações dos sintomas. Não foram identificadas diferenças clínicas que distinguisse os pacientes. Para se dizer se o paciente estava com ou sem sintomas psicóticos foi usado um questionário estruturado de entrevista para todos, acurando, assim, possíveis "defeitos" deixados pela psicose prévia.
Psychiatry, 61(1):20-34 1998 Spring Torgalsbøen AK; Rund BR
Desse estudo podemos ver que a remissão completa não é garantia de cura. Esse dado aparentemente banal é importantíssimo no relacionamento com o paciente e sua família por que 100% deles perguntam se ficarão bem, se voltarão a ser o que eram. No atual momento nenhum profissional da saúde mental pode afirmar o que acontecerá. Dizer que não vai melhorar é provocar uma iatrogenia, dizer que vai ficar bom pode ser ilusório o que posteriormente custará a confiança no profissional.

O que causa?
Sobre a causa da esquizofrenia só sabemos duas coisas: é complexa e multifatorial. O cérebro, por si, possui um funcionamento extremamente complexo e em grande parte desconhecido. Essa complexidade aumenta se considerarmos, e temos de considerar, que o funcionamento do cérebro depende do funcionamento de outras partes do corpo como os vasos sangüíneos, o metabolismo do fígado, a filtragem do rim, a absorção do intestino, etc. Por fim, se considerando outras variáveis nada desprezíveis como o ambiente social e familiar, a complexidade se torna inatingível para os recursos de que dispomos. Provavelmente a esquizofrenia é resultado disso tudo. Na história da Medicina as doenças foram descobertas muitas vezes pelos grupos ou atividades de risco. As pessoas que passavam em determinado local e contraíam doenças comuns àquela região abriam precedentes nas pesquisas. Locais onde o solo era pobre em iodo, as pessoas adquiriam bócio; locais onde havia certos mosquitos as pessoas podiam adquirir malária, dengue, febre amarela. Locais infestados por ratos, adquirir leptospirose. Com a esquizofrenia, nunca se conseguiu identificar fatores de risco, exceto o parentesco com algum esquizofrênico. Este fato dificulta as investigações porque não fornece as pistas nas quais os pesquisadores médicos precisam se basear para pesquisar. Como não há pistas, somos obrigados a escolher um tema que por intuição pode se relacionar à esquizofrenia e investigá-lo. É isto que tem sido feito.
Teoria Bioquímica
A mais aceita em parte devido ao sucesso das medicações: as pessoas com esquizofrenia sofrem de um desequilíbrio neuroquímico, portanto falhas na comunicação celular do grupo de neurônios envolvidos no comportamento, pensamento e senso-percepção.
Teoria do Fluxo Sangüíneo Cerebral
Com as modernas técnicas de investigação das imagens cerebrais (Tomografia por Emissão de Pósitrons- TEP) os pesquisadores estão descobrindo áreas que são ativadas durante o processamento de imagens sejam elas normais ou patológicas. As pessoas com esquizofrenia parecem ter dificuldade na "coordenação" das atividades entre diferentes áreas cerebrais. Por exemplo, ao se pensar ou falar, a maioria das pessoas mostra aumento da atividade nos lobos frontais, juntamente a diminuição da atividade de áreas não relacionadas a este foco, como a da audição. Nos pacientes esquizofrênicos observamos anomalias dessas ativações. Por exemplo, ativação da área auditiva quando não há sons (possivelmente devido a alucinações auditivas), ausência de inibição da atividade de áreas fora do foco principal, incapacidade de ativar como a maioria das pessoas, certas áreas cerebrais.
A TEP mede a intensidade da atividade pelo fluxo sangüíneo: uma região cerebral se ativa, recebendo mais aporte sangüíneo, o que pode ser captado pelo fluxo sangüíneo local. Ela mostrou um funcionamento anormal, mas por enquanto não temos a relação de causa e efeito entre o que as imagens revelam e a doença: ou seja, não sabemos se as anomalias, o déficit do fluxo sangüíneo em certas áreas, são a causa da doença ou a conseqüência da doença.
Teoria Biológica Molecular
Especula-se a respeito de anomalias no padrão de certas células cerebrais na sua formação antes do nascimento. Esse padrão irregular pode direcionar para uma possível causa pré-natal da esquizofrenia ou indicar fatores predisponentes ao desenvolvimento da doença.
Teoria Genética
Talvez essa seja a mais bem demonstrada de todas as teorias. Nas décadas passadas vários estudos feitos com familiares mostrou uma correlação linear e direta entre o grau de parentesco e as chances de surgimento da esquizofrenia. Pessoas sem nenhum parente esquizofrênico têm 1% de chances de virem a desenvolver esquizofrenia; com algum parente distante essa chance aumenta para 3 a 5%. Com um pai ou mãe aumenta para 10 a 15%, com um irmão esquizofrênico as chances aumentam para aproximadamente 20%, quando o irmão possui o mesmo código genético (gêmeo idêntico) as chances de o outro irmão vir a ter esquizofrenia são de 50 a 60%.A teoria genética, portanto explica em boa parte de onde vem a doença. Se explicasse tudo, a incidência de esquizofrenia entre os gêmeos idênticos seria de 100%.
Teoria do Estresse
O estresse não causa esquizofrenia, no entanto o estresse pode agravar os sintomas. Situações extremas como guerras, epidemias, calamidades públicas não fazem com que as pessoas que passaram por tais situações tenham mais esquizofrenia do que aquelas que não passaram.
Teoria das Drogas
Não há provas de que drogas lícitas ou ilícitas causem esquizofrenia. Elas podem, contudo, agravar os sintomas de quem já tem a doença. Certas drogas como cocaína ou estimulantes podem provocar sintomas semelhantes aos da esquizofrenia, mas não há evidências que cheguem a causá-la.
Teoria Nutricional
A alimentação balanceada é recomendável a todos, mas não há provas de que a falta de certas vitaminas desencadeie esquizofrenia nas pessoas predispostas. As técnicas de tratamento por megadoses de vitaminas não têm fundamento estabelecido por enquanto.
Teoria Viral
A teoria de que a infecção por um vírus conhecido ou desconhecido desencadeie a esquizofrenia em pessoas predispostas foi muito estudada. Hoje essa teoria vem sendo abandonada por falta de evidências embora muitos autores continuem considerando-a como possível fator causal.
Teoria Social
Fatores sociais como desencadeantes da esquizofrenia sempre são levantados, mas pela impossibilidade de estudá-las pelos métodos hoje disponíveis, nada se pode afirmar a seu respeito. Toda pesquisa científica precisa isolar a variável em estudo.No caso do ambiente social não há como fazer isso sem ferir profundamente a ética.

Quando um filho tem Esquizofrenia
...quando um filho tem esquizofrenia, ele sofre e sofre também a família. Num primeiro movimento, tenta-se esconder a doença por causa do preconceito social. Quando a doença não passa, os sonhos se desfazem, a preservação da imagem não tem mais sentido porque a doença é mais grave que o preconceito. A desesperança surge junto com a tristeza e o sentimento de perda da vida, da perspectiva, do futuro daquele que adoeceu tem que ser superado. A doença não pede licença: impõe e obriga-nos a mudar de postura diante da vida, diante da dor. A esquizofrenia não pode ser encarada como uma desgraça: tem que ser vista como uma barreira natural para nossos planos e desejos pessoais. Quando alguém na família adquire esquizofrenia é necessário que toda a família mude, se adapte para continuar sendo feliz apesar da dor. Os artigos científicos não publicam, mas o ser humano é capaz de ser feliz apesar da doença.
A esquizofrenia é uma doença incapacitante e crônica, que ceifa a juventude e impede o desenvolvimento natural. Geralmente se inicia no fim da adolescência ou no começo da idade adulta de forma lenta e gradual. O período de conflitos naturais da adolescência e a lentidão de seu início confundem as pessoas que estão próximas. Os sintomas podem ser confundidos com "crises existenciais", "revoltas contra o sistema", "alienação egoísta", uso de drogas, etc. 

Sintomas Positivos e Negativos
A divisão dos sintomas psicóticos em positivos e negativos tem por finalidade dizer de maneira objetiva o estado do paciente. Tendo como ponto de referência a normalidade, os sintomas positivos são aqueles que não deveriam estar presentes como as alucinações, e os negativos aqueles que deveriam estar presentes mas estão ausentes, como o estado de ânimo, a capacidade de planejamento e execução, por exemplo. Portanto sintomas positivos não são bons sinais, nem os sintomas negativos são piores que os positivos.
Positivos
Alucinações - as mais comuns nos esquizofrênicos são as auditivas. O paciente geralmente ouve vozes depreciativas que o humilham, xingam, ordenam atos que os pacientes reprovam, ameaçam, conversam entre si falando mal do próprio paciente. Pode ser sempre a mesma voz, podem ser de várias pessoas podem ser vozes de pessoas conhecidas ou desconhecidas, podem ser murmúrios e incompreensíveis, ou claras e compreensíveis. Da mesma maneira que qualquer pessoa se aborrece em ouvir tais coisas, os pacientes também se afligem com o conteúdo do que ouvem, ainda mais por não conseguirem fugir das vozes. Alucinações visuais são raras na esquizofrenia, sempre que surgem devem pôr em dúvida o diagnóstico, favorecendo perturbações orgânicas do cérebro.
Delírios - Os delírios de longe mais comuns na esquizofrenia são os persecutórios. São as idéias falsas que os pacientes têm de que estão sendo perseguidos, que querem matá-lo ou fazer-lhe algum mal. Os delírios podem também ser bizarros como achar que está sendo controlado por extraterrestres que enviam ondas de rádio para o seu cérebro. O delírio de identidade (achar que é outra pessoa) é a marca típica do doente mental que se considera Napoleão. No Brasil o mais comum é considerar-se Deus ou Jesus Cristo.
Perturbações do Pensamento - Estes sintomas são difíceis para o leigo identificar: mesmos os médicos não psiquiatras não conseguem percebê-los, não porque sejam discretos, mas porque a confusão é tamanha que nem se consegue denominar o que se vê. Há vários tipos de perturbações do pensamento, o diagnóstico tem que ser preciso porque a conduta é distinta entre o esquizofrênico que apresenta esse sintoma e um paciente com confusão mental, que pode ser uma emergência neurológica.
Alteração da sensação do eu - Assim como os delírios, esses sintomas são diferentes de qualquer coisa que possamos experimentar, exceto em estados mentais patológicos. Os pacientes com essas alterações dizem que não são elas mesmas, que uma outra entidade apoderou-se de seu corpo e que já não é ela mesma, ou simplesmente que não existe, que seu corpo não existe.
Negativos
Falta de motivação e apatia - Esse estado é muito comum, praticamente uma unanimidade nos pacientes depois que as crises com sintomas positivos cessaram. O paciente não tem vontade de fazer nada, fica deitado ou vendo TV o tempo todo, freqüentemente a única coisa que faz é fumar, comer e dormir. Descuida-se da higiene e aparência pessoal. Os pacientes apáticos não se interessam por nada, nem pelo que costumavam gostar.
Embotamento afetivo - As emoções não são sentidas como antes. Normalmente uma pessoa se alegra ou se entristece com coisas boas ou ruins respectivamente. Esses pacientes são incapazes de sentir como antes. Podem até perceber isso racionalmente e relatar aos outros, mas de forma alguma podem mudar essa situação. A indiferença dos pacientes pode gerar raiva pela apatia conseqüente, mas os pacientes não têm culpa disso e muitas vezes são incompreendidos.
Isolamento social - O isolamento é praticamente uma conseqüência dos sintomas acima. Uma pessoa que não consegue sentir nem se interessar por nada, cujos pensamentos estão prejudicados e não consegue diferenciar bem o mundo real do irreal não consegue viver normalmente na sociedade.
Os sintomas negativos não devem ser confundidos com depressão. A depressão é tratável e costuma responder às medicações, já os sintomas negativos da esquizofrenia não melhoram com nenhum tipo de antipsicótico. A grande esperança dos novos antipsicóticos de atuarem sobre os sintomas negativos não se concretizou, contudo esses sintomas podem melhorar espontaneamente.

Como reconhecer a esquizofrenia ainda no começo?
O reconhecimento precoce da esquizofrenia é uma tarefa difícil porque nenhuma das alterações é exclusiva da esquizofrenia incipiente; essas alterações são comuns a outras enfermidades, e também a comportamentos socialmente desviantes mas psicologicamente normais . Diagnosticar precocemente uma insuficiência cardíaca pode salvar uma vida, já no caso da esquizofrenia a única vantagem do diagnóstico precoce é poder começar logo um tratamento, o que por si não implica em recuperação. O diagnóstico precoce é melhor do que o diagnóstico tardio, pois tardiamente muito sofrimento já foi imposto ao paciente e à sua família, coisa que talvez o tratamento precoce evite. O diagnóstico é tarefa exclusiva do psiquiatra, mas se os pais não desconfiam de que uma consulta com este especialista é necessária nada poderá ser feito até que a situação piore e a busca do profissional seja irremediável. Qualquer pessoa está sujeita a vir a ter esquizofrenia; a maioria dos casos não apresenta nenhuma história de parentes com a doença na família. Abaixo estão enumeradas algumas dicas: como dito acima, nenhuma delas são características mas servem de parâmetro para observação.
  • Dificuldade para dormir, alternância do dia pela noite, ficar andando pela casa a noite, ou mais raramente dormir demais
  • Isolamento social, indiferença em relação aos sentimentos dos outros
  • Perda das relações sociais que mantinha
  • Períodos de hiperatividade e períodos de inatividade
  • Dificuldade de concentração chegando a impedir o prosseguimento nos estudos
  • Dificuldade de tomar decisões e de resolver problemas comuns
  • Preocupações não habituais com ocultismos, esoterismo e religião
  • Hostilidade, desconfiança e medos injustificáveis
  • Reações exageradas às reprovações dos parentes e amigos
  • Deterioração da higiene pessoal
  • Viagens ou desejo de viajar para lugares sem nenhuma ligação com a situação pessoal e sem propósitos específicos
  • Envolvimento com escrita excessiva ou desenhos infantis sem um objetivo definido
  • Reações emocionais não habituais ou características do indivíduo
  • Falta de expressões faciais (Rosto inexpressivo)
  • Diminuição marcante do piscar de olhos ou piscar incessantemente
  • Sensibilidade excessiva a barulhos e luzes
  • Alteração da sensação do tato e do paladar
  • Uso estranho das palavras e da construção das frases
  • Afirmações irracionais
  • Comportamento estranho como recusa em tocar as pessoas, penteados esquisitos, ameaças de auto-mutilação e ferimentos provocados em si mesmo
  • Mudanças na personalidade
  • Abandono das atividades usuais
  • Incapacidade de expressar prazer, de chorar ou chorar demais injustificadamente, risos imotivados
  • Abuso de álcool ou drogas
  • Posturas estranhas
  • Recusa em tocar outras pessoas
Nenhum desses sinais por si comprovam doença mental, mas podem indicá-la. Pela faixa etária esses sinais podem sugerir envolvimento com drogas, personalidade patológica ou revolta típica da idade. Diferenciar a esquizofrenia do envolvimento com drogas pode ser feito pela observação da preocupação constante com dinheiro, no caso de envolvimento com drogas, coisa rara na esquizofrenia. A personalidade patológica não apresenta mudanças no comportamento, é sempre desviante, desde as tenras idades. Na esquizofrenia incipiente ainda que lentamente, ocorre uma mudança no curso do comportamento da pessoa, na personalidade patológica não. Na revolta típica da adolescência sempre haverá um motivo razoável que justifique o comportamento, principalmente se os pais tiverem muitos conflitos entre si.

A Família do esquizofrênico
O paciente esquizofrênico sofre intensamente com sua condição e sua família também, não há como isto ser evitado. Infelizmente os programas político-sociais de reinserção dos doentes mentais na sociedade simplesmente ignoram o sofrimento e as necessidades da família, que são enormes. Esta é vista como desestruturada, fria, indiferente ou mesmo hostil ao paciente. Da mesma forma que o paciente esquizofrênico sofre duas vezes, pela doença e pelo preconceito, a família também sofre duas vezes, com a doença do filho e com a discriminação e incompreensão sociais. Num país pobre como o Brasil, a assistência à família do esquizofrênico tem que ser um programa governamental indispensável, para que se possa preservar o desempenho social (estudo, trabalho, profissão) dos parentes dos pacientes esquizofrênicos. O nível de recuperação que se tem com o tratamento da esquizofrenia é muito baixo; os irmãos saudáveis desses pacientes devem ser amparados para não terem suas vidas impedidas de se desenvolver por causa da esquizofrenia de um irmão.
A título de reumanização do tratamento dos esquizofrênicos, pretende-se fechar os hospitais psiquiátricos alocando-os para outros serviços que não incluem atendimento às necessidades dos parentes dos esquizofrênicos. Como está, esse projeto não apenas piorará a situação do paciente, como também de sua família. Os problemas que geralmente ocorrem na família dos esquizofrênicos são os seguintes:
  • Pesar... "Sentimos como se tivéssemos perdido nosso filho"
  • Ansiedade... "Temos medo de deixá-lo só ou de ferir seus sentimentos"
  • Medo... "Ele poderá fazer mal a si mesmo ou a outras pessoas?"
  • Vergonha e culpa... "Somos culpados disso? O que os outros pensarão?"
  • Sentimento de isolamento... "Ninguém nos compreende"
  • Amargura... "Por que isso aconteceu conosco?"
  • Depressão... "Não consigo falar nisso sem chorar?"
  • Negação da doença... "Isso não pode acontecer na nossa família"
  • Negação da gravidade... "Isso daqui a pouco passa"
  • Culpa recíproca... "Não fosse por aquele seu parente esquisito..."
  • Incapacidade de pensar ou falar de outra coisa que não seja a doença... "Toda nossa vida gira em torno do nosso filho doente"
  • Problemas conjugais... "Minha relação com meu marido tornou-se fria, sinto-me morta por dentro"
  • Separação... "Não agüento mais minha mulher"
  • Preocupação em mudar-se... "Talvez se nos mudarmos para outro lugar as coisas melhorem"
  • Cansaço... "Envelheci duas vezes nos últimos anos"
  • Esgotamento... "Sinto-me exausto, incapaz de fazer mais nada"
  • Preocupação com o futuro... "O que acontecerá quando não estivermos presentes, o que será dele?"
  • Uso excessivo de tranqüilizantes ou álcool... "Hoje faço coisas que nunca tinha feito antes"
  • Isolamento social... "As pessoas até nos procuram, mas não temos como fazer os programas que nos propõem"
  • Constante busca de explicações... "Será que isso aconteceu por algo que fizemos para ele?"
  • Individualização... "Não temos mais vida familiar"
  • Ambivalência... "Nós o amamos, mas para ficar assim preferíamos que se fosse..."

Sinais de boa recuperação
Tem sido observado que certos pacientes se recuperam mais freqüentemente do que outros. Nesse grupo foi identificado um grupo de características que pode servir como parâmetro, referência para boa recuperação. Esses sintomas não servem como garantia, mas aumentam as chances dessas pessoas de se recuperarem. Os sinais são os seguintes:
  • Capacidade de sentir e expressar emoções (alegria, excitação, tristeza, desespero, etc.)
  • Não apresentar sentimentos de grandiosidade.
  • Apresentar alucinações (mais freqüentemente auditivas)
  • Aparência de perplexidade no episódio agudo
  • Não se isolar; não apresentar distúrbios do pensamento
  • Idéias de perseguição e conduta de desconfiança também são sinais de bom prognóstico
Não há unanimidade quanto a esses sintomas, sempre haverá quem conteste a afirmação de que indicam bom prognóstico. Sintomas catatônicos (imobilidade ou excitação excessiva) e confusão mental apesar de aparentarem maior gravidade podem se resolver mais rapidamente deixando a pessoa sem problemas.
Um sinal importante de boa recuperação é a idade de início, quanto mais tarde mais chances de recuperação. A idade comum de início da esquizofrenia é o fim da adolescência e início da idade adulta podendo começar até aproximadamente 45 anos. Casos raros se dão após essa idade ou na infância.
As pessoas que sofreram traumatismos cranianos no nascimento ou ao longo da vida, assim como aquelas que sofreram infecções encefálicas.

Conselho aos pais
  • Aprendam a reconhecer os sintomas iniciais, que possam indicar uma possível recaída antes do quadro completo se instalar.
  • Procurar atendimento médico logo, sem adiamentos.
  • Procurar aprender sobre a doença para melhor entender o filho em suas necessidades.
  • Estabelecer expectativas realistas para a condição individual do filho doente.
  • Observar e aprender para melhor poder relatar os sintomas.
  • Saber respeitar seus próprios limites: você não poderá ajudar adequadamente enquanto estiver precisando de ajuda.
  • Tentar o máximo possível estabelecer uma relação amistosa, com um objetivo e finalidade estabelecidos.
  • Estimular parentes e amigos de seu filho a estabelecerem uma relação saudável.
  • Comunicar-se de forma clara e objetiva, sem usar meias-palavras ou deixar mensagens subentendidas.
  • Principalmente: ter um ambiente emocionalmente estável em casa. Expressões hostis mesmo que não direcionadas para a pessoa doente afetam e prejudicam o esquizofrênico. Não exercer cobranças sobre ele. Expressar as emoções tanto positivas (alegria) quanto as negativas (raiva) sempre com moderação.

Princípios para uso das medicações
Os remédios são a única alternativa para tratar a esquizofrenia, outras formas de terapia complementam, mas não substituem as medicações. Há, contudo, uma natural resistência ao uso delas e isso é apenas uma conseqüência da forma como se entende a doença. Se encararmos a medicação como algo estranho ao corpo a aversão se dará inevitavelmente, mas se encararmos as medicação como substâncias reguladoras de atividades cerebrais desequilibradas, podemos vê-las como amigas. O paciente não tem nenhuma culpa por uma parte do cérebro estar desregulado, mas pode usar o lado saudável (o bom senso) para tomar a decisão de se tratar. As medicações, portanto, só fazem ajustar o que estava desajustado. Infelizmente no caso da esquizofrenia não conhecemos medicações que realizem essa tarefa completamente, restabelecendo a normalidade do paciente. Mas por enquanto temos uma ajuda parcial. Meia dor é menos ruim que uma dor completa.


Ref. Bibliograf: Liv 01 Liv 09 Liv 02 Liv 04 Eur. Psychiatry 2001: 16, 90-8 
Relapse Prevention in Schizophrenia
J Bergiannaki Eur. Psychiatry 2001: 16, 90-8 
Hospital Physician 2001; 50: 21-28
New Hope in Pharmacotherapy for Schizophrenia
Leonardo Cortese